{"id":32086,"date":"2017-12-11T11:16:43","date_gmt":"2017-12-11T13:16:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=32086"},"modified":"2017-12-11T11:16:43","modified_gmt":"2017-12-11T13:16:43","slug":"a-cada-2-dias-7-policiais-feridos-sao-afastados-do-trabalho-no-estado-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/12\/11\/a-cada-2-dias-7-policiais-feridos-sao-afastados-do-trabalho-no-estado-de-sp\/","title":{"rendered":"A cada 2 dias, 7 policiais feridos s\u00e3o afastados do trabalho no estado de SP"},"content":{"rendered":"<p>Anderson Lino do Nascimento fez sinal para o policial na guarita. Estava voltando ao quartel ap\u00f3s sete meses. Um acidente de moto a caminho do trabalho o obrigou a passar por duas cirurgias e mais de uma centena de sess\u00f5es de fisioterapia, provocando seu afastamento. Acidentes com ve\u00edculos \u2013 carros e motos \u2013 e atropelamento est\u00e3o entre as principais causas de licen\u00e7as m\u00e9dicas concedidas pela Pol\u00edcia Militar aos seus agentes. Tiros e facadas tamb\u00e9m provocam dezenas de v\u00edtimas. De janeiro de 2015 a maio deste ano, a cada dois dias a corpora\u00e7\u00e3o registrou o afastamento de sete policiais feridos no Estado de S\u00e3o Paulo, de folga ou no servi\u00e7o.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia enfrentada pelos policiais militares fez com que a Diretoria de Sa\u00fade da PM mudasse o treinamento de m\u00e9dicos e dos policiais de batalh\u00f5es e de unidades de elite. Eles passaram a receber instru\u00e7\u00e3o para atender casos de traumas causados por armas de guerra (PHTLS, na sigla em ingl\u00eas). \u201cEle precisa saber fazer um torniquete corretamente em um ou dois minutos para controlar a hemorragia\u201d, afirma o tenente-coronel-m\u00e9dico Cezar Angelo Galletti Junior, da diretoria.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que toda equipe tenha pelo menos um policial com um torniquete no uniforme para salvar vidas. \u201cNosso objetivo \u00e9 devolver o homem no fim da carreira nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de quando ingressou na corpora\u00e7\u00e3o\u201d, diz o coronel-m\u00e9dico Roberto Rodrigues Junior, diretor de Sa\u00fade da PM. \u201cO policial chega cada vez mais cedo \u00e0 ocorr\u00eancia e os bandidos est\u00e3o com armamento cada vez mais pesado.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com dados das Juntas M\u00e9dicas da PM, 249 policiais ficaram incapacitados para o trabalho de 2015 a junho de 2017 \u2013 s\u00e3o 7,9% do total de 3.131 homens que obtiveram licen\u00e7as m\u00e9dicas, principalmente em raz\u00e3o de acidentes, ferimentos com armas de fogo e armas brancas. \u201cUma minoria \u00e9 reformada, normalmente os pacientes da fisioterapia neurol\u00f3gica\u201d, conta a tenente-coronel Soraya Corr\u00eaa Alvarez, que chefiava o Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o (CR) da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de manter hospital pr\u00f3prio, a PM tem o CR para tratar desses policiais feridos. Em 2016, o centro fez 57,1 mil atendimentos, quase a mesma quantidade do ano anterior (56,3 mil). A fisioterapia ortop\u00e9dica foi respons\u00e1vel por 17 mil desses atendimentos no ano passado e o servi\u00e7o de condicionamento f\u00edsico, por 11 mil, ocupando o primeiro e o segundo lugares dos atendimentos mais procurados.<\/p>\n<p>\u00c9 no CR que Lino fez seu tratamento \u2013 no seu caso, foram exerc\u00edcios da fisioterapia ortop\u00e9dica. O mesmo ocorreu com o sargento Wagner Leite da Silva. Ambos voltaram ao servi\u00e7o. Pelo centro tamb\u00e9m passaram a soldado Adriana da Silva Andrade e o soldado Gilson Ribeiro. Baleados por bandidos, Ribeiro e Adriana s\u00e3o atendidos pela fisioterapia neurol\u00f3gica. Ribeiro teve de ser reformado e Adriana deve seguir o mesmo caminho. \u201cMuitos dos policiais chegam com les\u00f5es que n\u00e3o permitem que voltem ao servi\u00e7o. \u00c9 comum um abalo psicol\u00f3gico. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso tratar o policial de forma multidisciplinar\u201d, diz a tenente-coronel Soraya.<\/p>\n<h3>M\u00e9dia<\/h3>\n<p>Os afastamentos por acidentes deixaram os policiais de 30 a 90 dias longe do trabalho, em m\u00e9dia. J\u00e1 entre os que foram v\u00edtimas de disparos de armas de fogo, a m\u00e9dia de afastamento \u00e9 de 45 dias. Os casos neurol\u00f3gicos s\u00e3o tratamentos longos.<\/p>\n<p>\u201cInvariavelmente com esses pacientes cuidamos do luto\u201d, diz Soraya. Ela explica que \u201cno luto\u201d em quest\u00e3o h\u00e1 \u201cperdas de capacidades e de possibilidades\u201d. \u201cOs policiais militares t\u00eam o treinamento voltado para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas.\u201d Soraya conta que, ent\u00e3o, o PM passa a se ver como \u201co problema\u201d, porque deixou de ter autonomia nas atividades di\u00e1rias, passando a depender de algu\u00e9m. \u201cIsso \u00e9 muito complicado para o policial administrar.\u201d<\/p>\n<h3>Baleado em roubo<\/h3>\n<p>O soldado Wagner Renato dos Santos viu o casal surgir do nada. Ainda tentou fechar a porta do carro, mas o homem j\u00e1 estava ao seu lado. \u201cA\u00ed, boy, se voc\u00ea tentar ir embora, a gente vai arrebentar voc\u00ea na bala.\u201d Era domingo, 5 de fevereiro de 2007. Instantes depois parou o Uno. Havia mais quatro bandidos. Fizeram uma meia-lua em torno de Santos. \u201cD\u00e1 o dinheiro, d\u00e1 o dinheiro\u201d, gritavam. \u201cN\u00e3o tenho\u201d, respondeu o soldado. \u201cTem que eu \u2018t\u00f4\u2019 ligado. Se eu revistar voc\u00ea e achar, eu vou te matar\u201d, disse um dos ladr\u00f5es.<\/p>\n<p>Santos apanhou a chave do carro e os R$ 400 em um bolso. Entregou tudo com a carteira, os pap\u00e9is do carro e documentos pessoais, como a identifica\u00e7\u00e3o funcional. \u201cTem mais que eu sei. P\u00f5e a m\u00e3o na cabe\u00e7a, sen\u00e3o eu vou te arrebentar.\u201d Santos obedeceu, enquanto tr\u00eas dos bandidos voltavam para o Uno e outros entravam em seu carro. O ladr\u00e3o apalpou, apalpou e s\u00f3 parou quando um dos comparsas chamou: \u201c\u00d4, Joe, tira a m\u00e3o do cara, deixa ele em paz, ele j\u00e1 deu tudo o que tem. \u2018Vamo\u2019 embora\u201d. No carro, um dos assaltantes vasculhou a carteira. \u201cFica a p\u00e9 a\u00ed seu vacil\u00e3o, seu ot\u00e1rio\u201d, gritou a mulher do grupo. Foi quando acharam o documento de PM de Santos.<\/p>\n<p>O desfecho foi r\u00e1pido. \u201cEle \u00e9 pol\u00edcia!\u201d E o primeiro disparo acertou a cabe\u00e7a da v\u00edtima. O soldado caiu, sacou, revidou e com a perna tentou impedir os bandidos de abrirem a porta do carro. Choveu bala de todo lado. Sem perceber que fora atingido, o soldado atravessou a rua atr\u00e1s de socorro. Os bandidos fugiram.<\/p>\n<p>Alguns metros adiante, um homem apareceu em um port\u00e3o. \u201cSenhor, em nome de Jesus, chama a pol\u00edcia para mim, sou policial.\u201d O homem respondeu: \u201cCalma, filho, minha mulher j\u00e1 foi chamar a pol\u00edcia, calma que voc\u00ea tomou quatro, cinco tiros na cabe\u00e7a.\u201d Santos n\u00e3o acreditou e se olhou no retrovisor de um carro.<\/p>\n<p>\u201cMeu c\u00e9rebro estava saindo para fora. Sentei atr\u00e1s desse carro, e fiquei chorando. Meu osso da cabe\u00e7a estava todo esfacelado.\u201d Levado a um hospital, foi operado duas vezes. Perdeu 33% da massa encef\u00e1lica. Os m\u00e9dicos lhe davam poucas chances de sobreviver. Um dia, levantou e voltou a ver e falar. Depois disso ficou conhecido como Milagre. Afastado do servi\u00e7o, acabou reformado.<\/p>\n<h3>Atropelado<\/h3>\n<p>Milagre n\u00e3o teve a sorte do sargento Wagner Leite da Silva, que foi atropelado por um caminh\u00e3o em cima da ponte de acesso \u00e0 Rodovia Dutra, na Marginal do Tiet\u00ea. Em 14 de mar\u00e7o de 2013, ele e o policial Edivanil Bispo dos Santos vigiavam o local quando ouviram um barulho. Era um caminh\u00e3o biarticulado subindo o viaduto. Parecia descontrolado. Silva subiu na mureta da ponte. Bispo correu.<\/p>\n<p>\u201cO caminh\u00e3o bateu no lado da viatura, que levantou do ch\u00e3o. Ela veio raspando a mureta e bateu na minha perna. N\u00e3o acreditei que estava caindo e abri os bra\u00e7os: \u2018Meu Deus, estou caindo\u2019. De repente, j\u00e1 estava no ch\u00e3o.\u201d Silva caiu de 17 metros de altura, com a espingarda nas costas, em cima de entulhos. O caminh\u00e3o prosseguiu at\u00e9 colher Bispo, que tamb\u00e9m foi atirado do alto da ponte.<\/p>\n<p>Silva quebrou tr\u00eas costelas, o ombro, o pulso, o f\u00eamur esquerdo, deslocou a bacia e torceu duas v\u00e9rtebras da coluna. Conseguiu ficar em p\u00e9 em janeiro de 2014. Fazia fisioterapia e hidrogin\u00e1stica. Em 2015, voltou para a corpora\u00e7\u00e3o. Hoje, trabalha no 27.\u00aa Batalh\u00e3o, na zona sul.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Estad\u00e3o)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anderson Lino do Nascimento fez sinal para o policial na guarita. Estava voltando ao quartel ap\u00f3s sete meses. 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