{"id":31835,"date":"2017-10-31T10:24:27","date_gmt":"2017-10-31T12:24:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=31835"},"modified":"2017-10-31T10:25:33","modified_gmt":"2017-10-31T12:25:33","slug":"a-saude-do-professor-reflete-as-condicoes-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/10\/31\/a-saude-do-professor-reflete-as-condicoes-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Afastamento: a sa\u00fade do professor reflete as condi\u00e7\u00f5es de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Segundo dados da Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, em 2016 foram concedidas 128.178 mil licen\u00e7as m\u00e9dicas a professores dos Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino M\u00e9dio (PEB II), totalizando 2.901.529 dias de afastamento. Os n\u00fameros representam queda de 14% no afastamento de educadores nos \u00faltimos dois anos, mas refletem a sobrecarga a que s\u00e3o submetidos os professores. E certamente trazem consequ\u00eancias para a aprendizagem dos alunos.<\/p>\n<p>A professora de ci\u00eancias Kelly Morgani, afastada das salas de aula de escola estadual na periferia de Sorocaba (SP), ap\u00f3s sucessivos problemas de sa\u00fade, materializa o problema: \u201cN\u00e3o sei o que fazer. Estou presa num v\u00e1cuo\u201d, resume a docente, que se v\u00ea num impasse. Ela acredita na doc\u00eancia como o caminho fundamental para formar melhores cidad\u00e3os, mas se sente empurrada para fora da escola pelas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e o impacto direto na pr\u00f3pria sa\u00fade.<\/p>\n<p>Kelly planejava ser pesquisadora, mas descobriu que poderia fazer a diferen\u00e7a dando aula de ci\u00eancias. Hoje, ela culpa os epis\u00f3dios de viol\u00eancia e a redu\u00e7\u00e3o do quadro de profissionais de apoio ao professor (como coordenadores pedag\u00f3gicos e mediadores de conflito) na escola em que atua pelo desencadeamento de enfermidades como gastrite hemorr\u00e1gica, press\u00e3o alta, depress\u00e3o e s\u00edndrome do p\u00e2nico, doen\u00e7as que a fazem pensar em abandonar a carreira.<\/p>\n<p>Infelizmente, tal quadro n\u00e3o \u00e9 exclusivo da rede p\u00fablica de S\u00e3o Paulo. O adoecimento de docentes est\u00e1 relacionado \u00e0s m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho em redes p\u00fablicas de todo Brasil. Apenas 2% das escolas brasileiras que atendem alunos mais pobres contam com todos os itens de infraestrutura previstos no Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), frente a 70% das que atendem os mais ricos. Ou seja, os professores que lidam com as situa\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas mais desafiadoras s\u00e3o os que possuem menos recursos.<\/p>\n<p>O n\u00famero de alunos por classe \u00e9 outro fator que impacta nesse quadro negativo: diante de turmas muito grandes, a energia empregada para manter o controle \u00e9 grande. Segundo informa\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/www.todospelaeducacao.org.br\/reportagens-tpe\/42552\/pne-completa-3-anos-e-balanco-sobre-metas-com-prazos-ate-2017-e-tema-de-webinario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis 2013)<\/a>, os docentes brasileiros gastam um ter\u00e7o da aula lidando com indisciplina. Kelly est\u00e1 entre eles. \u201cNa minha escola, a gente tem de dar aula com um barulho incr\u00edvel, j\u00e1 que h\u00e1 uma m\u00e9dia de 40 a 45 alunos por sala. Temos adolescentes brigando ou se drogando e outros gritando no p\u00e1tio enquanto est\u00e3o com aula vaga\u201d, argumenta a docente, que alerta para a impossibilidade de garantir a aprendizagem em um espa\u00e7o que n\u00e3o favorece a concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa realidade n\u00e3o \u00e9 despercebida pelos alunos. Conforme eles apontam na <a href=\"http:\/\/www.todospelaeducacao.org.br\/reportagens-tpe\/41997\/ensino-medio-o-que-querem-os-jovens\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pesquisa Repensar o Ensino M\u00e9dio<\/a>, do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, a seguran\u00e7a dentro da escola e a infraestrutura escolar s\u00e3o duas das maiores preocupa\u00e7\u00f5es da juventude no Ensino M\u00e9dio. \u201cOs conflitos s\u00e3o naturais quando se trabalha com jovens, especialmente os de regi\u00f5es mais pobres. O problema \u00e9 a falta de estrutura da escola e a aus\u00eancia de coordenadores e mediadores para dar orienta\u00e7\u00e3o e fazer a ponte com a fam\u00edlia\u201d, avalia Kelly.<\/p>\n<p>Esses fatores combinados a grandes jornadas de trabalho e \u00e0 falta de valoriza\u00e7\u00e3o social e salarial docentes aprofundam conflitos e potencializam os desgastes f\u00edsicos e emocionais que, invariavelmente, acompanham a vida docente. Segundo reportagem do jornal<em> O Estado de S. Paulo<\/em>, as principais doen\u00e7as que acometem os professores da rede paulista s\u00e3o transtornos mentais e comportamentais, enfermidades que poderiam ser minimizadas por pol\u00edticas p\u00fablicas transversais e multidisciplinares.<\/p>\n<p>Vejamos apenas algumas iniciativas nesse sentido. A amplia\u00e7\u00e3o de profissionais de apoio, como apontado anteriormente, ajudaria a diluir o peso das responsabilidades dos docentes em sala de aula. A forma\u00e7\u00e3o continuada, quando feita com qualidade, poderia dotar os professores de estrat\u00e9gias para evitar a sobrecarga do aparelho vocal. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso ressaltar a necessidade de diminuir o n\u00famero de alunos por classe, o que resultaria em maior aten\u00e7\u00e3o do professor a cada estudante.<\/p>\n<p>A professora Kelly acrescenta alguns t\u00f3picos que precisam avan\u00e7ar para que os professores tenham um cotidiano menos estressante em seus ambientes do trabalho: acompanhamento pedag\u00f3gico do professor por mais profissionais de apoio, recursos e apoio \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o do professor e maior acompanhamento da sa\u00fade docente.<\/p>\n<p><em>(Fonte: O Globo)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo dados da Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, em 2016 foram concedidas 128.178 mil licen\u00e7as m\u00e9dicas a professores dos Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino M\u00e9dio (PEB II), totalizando 2.901.529 dias de afastamento. 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