{"id":31575,"date":"2017-09-20T14:33:25","date_gmt":"2017-09-20T17:33:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=31575"},"modified":"2017-09-20T16:20:15","modified_gmt":"2017-09-20T19:20:15","slug":"to-dentro-conheca-as-historias-de-pessoas-que-batalham-pela-inclusao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/09\/20\/to-dentro-conheca-as-historias-de-pessoas-que-batalham-pela-inclusao-2\/","title":{"rendered":"T\u00f4 Dentro: Conhe\u00e7a as hist\u00f3rias de pessoas que batalham pela inclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Na semana em que \u00e9 comemorado o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Defici\u00eancia, a se\u00e7\u00e3o \u201cT\u00f4 Dentro!\u201d, publicada pelo jornal <em>O Globo<\/em>, re\u00fane tr\u00eas hist\u00f3rias inspiradoras de personagens que batalham pela inclus\u00e3o. S\u00e3o depoimentos de quem vive diariamente as dificuldades impostas aos cidad\u00e3os com algum tipo de limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou intelectual e, a partir da pr\u00f3pria experi\u00eancia, pensa e prop\u00f5e medidas para sair da invisibilidade e tornar o ambiente social mais acolhedor e prop\u00edcio a todos.<\/p>\n<p>A data \u2014 21 de setembro \u2014 foi institu\u00edda em 1982, simbolizando o nascimento das reivindica\u00e7\u00f5es por cidadania e participa\u00e7\u00e3o em igualdade de condi\u00e7\u00f5es. Segundo o subsecret\u00e1rio municipal da Pessoa com Defici\u00eancia, Geraldo Nogueira, o dia representa o momento em que pessoas com defici\u00eancia passam a incorporar uma luta por maior espa\u00e7o na sociedade.<\/p>\n<p>\u2014 As comemora\u00e7\u00f5es t\u00eam sido muito emblem\u00e1ticas, e geralmente \u00e9 uma \u00e9poca na qual o tema da defici\u00eancia est\u00e1 muito presente. Isso \u00e9 muito importante, porque ainda somos um segmento muito invis\u00edvel da sociedade. Mas acho que a presen\u00e7a da pessoa com defici\u00eancia no meio social tem melhorado \u2014 afirma.<\/p>\n<p>Geraldo \u00e9 um dos personagens que conta aqui sua trajet\u00f3ria de milit\u00e2ncia, que come\u00e7ou ap\u00f3s um acidente que o deixou parapl\u00e9gico. A designer Fernanda Schacker, que tem s\u00edndrome de Down, criou um guia para que diagramadores possam produzir livros acess\u00edveis a pessoas com qualquer tipo de defici\u00eancia. E a professora Ana Cristina Hildebrandt, deficiente visual que d\u00e1 aulas h\u00e1 25 anos conta como se tornou uma refer\u00eancia para seus alunos.<\/p>\n<p>De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mais de 45 milh\u00f5es de brasileiros t\u00eam algum tipo de defici\u00eancia. Em 2008, o Brasil ratificou a Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia, adotada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e o Protocolo Facultativo, documentos que basearam a Lei Brasileira de Inclus\u00e3o (LBI), em vigor desde janeiro de 2016.<\/p>\n<h3>GERALDO NOGUEIRA, SUBCRET\u00c1RIO MUNICIPAL DA PESSOA COM DEFICI\u00caNCIA<\/h3>\n<p>H\u00e1 27 anos me acidentei, sofri uma les\u00e3o na coluna e fiquei parapl\u00e9gico. Comecei minha milit\u00e2ncia na causa dois anos depois. Dediquei meu conhecimento de Direito a isso e participei da elabora\u00e7\u00e3o de diversas leis sobre o tema, auxiliando parlamentares, na maioria das vezes como volunt\u00e1rio. Como ativista, entendi que tinha que trabalhar tamb\u00e9m para pessoas com outros tipos de defici\u00eancia. O Brasil tem uma das legisla\u00e7\u00f5es mais ricas do mundo na quest\u00e3o de inclus\u00e3o, mas o pa\u00eds precisa evoluir no conceito de cidadania: a sociedade vira as costas \u00e0s pessoas com defici\u00eancia, que t\u00eam que resolver seus problemas sozinhas.<\/p>\n<p>Durante esse per\u00edodo, percebi nitidamente uma mudan\u00e7a grande, mas o preconceito gera na gente uma dor que n\u00e3o d\u00e1 para explicar. E, na maioria das vezes, n\u00e3o te afronta, \u00e9 feito de forma velada. Eu vejo a necessidade de usar meu conhecimento para atingir o maior n\u00famero de pessoas. Agora estou na subsecretaria municipal da Pessoa com Defici\u00eancia e, entre outros projetos, esperamos publicar em breve um decreto que facilite a concess\u00e3o de gratuidade no transporte p\u00fablico para esse grupo. Vejo meu trabalho como uma miss\u00e3o, como se eu tivesse que dar uma resposta positiva \u00e0 defici\u00eancia.<\/p>\n<h3>FERNANDA SCHACKER, AUTORA DO &#8216;GUIA DE DIAGRAMA\u00c7\u00c3O PARA UM LIVRO ACESS\u00cdVEL&#8217;<\/h3>\n<p>Muitos livros ignoram as limita\u00e7\u00f5es de pessoas com defici\u00eancia. Escrevi um guia para orientar como os designers de editoras podem mudar esta postura. Minha obra tem letras grandes e uma fonte leg\u00edvel, o que ajuda pessoas de baixa vis\u00e3o. Deixei uma margem grande para que pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica consigam virar a p\u00e1gina sem esfor\u00e7o. E n\u00e3o deixei o texto alinhado \u00e0 direita porque, desta forma, as pessoas com defici\u00eancia mental podem se orientar melhor entre uma linha e outra.<\/p>\n<p>O guia foi meu trabalho de conclus\u00e3o do curso de Design que fiz em uma universidade ga\u00facha. Foram cinco anos em que, \u00e0s vezes, convivi com professores desconfiados, que n\u00e3o sabiam como interagir comigo, porque nunca tinham tido um aluno com s\u00edndrome de Down. Consegui cumprir uma trajet\u00f3ria dif\u00edcil: ia sozinha para o curso, que era noturno, e gravava a aula para assisti-la novamente em casa ou fotografava o quadro quando ele era apagado r\u00e1pido demais. Depois de um ano e meio, eu estava totalmente adaptada. Alguns colegas at\u00e9 pediam meu caderno emprestado para copiar alguma mat\u00e9ria que n\u00e3o haviam entendido.<\/p>\n<p>Quero contribuir para a inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia e apresentar meu guia em semin\u00e1rios e feiras. S\u00f3 falta encontrar uma editora.<\/p>\n<h3>ANA CRISTINA HILDEBRANDT, PROFESSORA DO INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT PARA ALUNOS CEGOS<\/h3>\n<p>Tenho 25 anos de magist\u00e9rio e sempre dei aula para alunos cegos, que leem e escrevem em Braile. Tive baixa vis\u00e3o at\u00e9 os 8 anos e, depois, fiquei cega completamente. \u00c9 gratificante fazer pelos outros o que j\u00e1 fizeram por mim. A crian\u00e7a cega tem poucas refer\u00eancias de adultos cegos, principalmente na rede municipal, onde estudam com professores e colegas que enxergam. Ali, o professor cego, como eu, al\u00e9m de ensinar matem\u00e1tica, por exemplo, acaba sendo uma refer\u00eancia tamb\u00e9m. No Benjamin Constant \u00e9 um pouco diferente porque os alunos est\u00e3o em turmas em que todos s\u00e3o cegos, em condi\u00e7\u00e3o de igualdade.<\/p>\n<p>Digo para eles que n\u00e3o precisam ter medo, mostro que eles podem ter uma vida acad\u00eamica, uma profiss\u00e3o, para que eles se coloquem como pessoas aut\u00f4nomas e cidad\u00e3os. Mas nem todos os alunos t\u00eam a chance de descobrir que a situa\u00e7\u00e3o deles n\u00e3o \u00e9 de impossibilidade, mas de dificuldade. E que eles podem aprender de outras formas, com outros sentidos.<\/p>\n<p>Dei aula por dez anos de Braile para professores que vinham ao instituto se qualificar. Foi muito rico conscientizar os colegas, divulgar o sistema Braile e mostrar que os alunos deles t\u00eam capacidades maiores do que eles acreditam ter.<\/p>\n<p><em>(Fonte: O Globo)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana em que \u00e9 comemorado o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Defici\u00eancia, a se\u00e7\u00e3o \u201cT\u00f4 Dentro!\u201d, publicada pelo jornal O Globo, re\u00fane tr\u00eas hist\u00f3rias inspiradoras de personagens que batalham pela inclus\u00e3o. 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