{"id":31564,"date":"2017-09-18T13:57:11","date_gmt":"2017-09-18T16:57:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=31564"},"modified":"2017-09-18T13:57:11","modified_gmt":"2017-09-18T16:57:11","slug":"sp-tem-quase-2-professores-agredidos-ao-dia-ataque-vai-de-soco-a-cadeirada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/09\/18\/sp-tem-quase-2-professores-agredidos-ao-dia-ataque-vai-de-soco-a-cadeirada\/","title":{"rendered":"SP tem quase 2 professores agredidos ao dia; ataque vai de soco a cadeirada"},"content":{"rendered":"<p>A cada dia, em m\u00e9dia, quase dois professores s\u00e3o agredidos em seus locais de trabalho no Estado de S\u00e3o Paulo, mostram dados de registros policiais obtidos pela<em> Folha<\/em> por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O n\u00famero leva em conta as 178 queixas de educadores em delegacias no primeiro semestre deste ano em datas do calend\u00e1rio escolar (dias \u00fateis do per\u00edodo de fevereiro a junho).<\/p>\n<p>Elas se referem a ocorr\u00eancias de &#8220;vias de fato&#8221; (37%), como um empurr\u00e3o sem maiores consequ\u00eancias, e ao crime de les\u00e3o corporal (63%). Aconteceram em creches, escolas e universidades, tanto p\u00fablicas como particulares.<\/p>\n<p>H\u00e1 educadores atingidos com lixeiras, carteiras escolares, socos, chutes e pontap\u00e9s. Em ao menos um de cada quatro casos, um aluno foi apontado entre os agressores -a maioria dos registros n\u00e3o identifica os respons\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"folhagraficos rs_skip\">\n<p>O n\u00famero real de ocorr\u00eancias \u00e9 provavelmente ainda maior, pois, em um ter\u00e7o dos casos, a profiss\u00e3o da v\u00edtima n\u00e3o \u00e9 identificada no boletim. Sabe-se ainda que, em estat\u00edsticas de viol\u00eancia, \u00e9 comum haver subnotifica\u00e7\u00e3o, pois parte das pessoas n\u00e3o chega a procurar a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra professores ganhou repercuss\u00e3o nacional nas \u00faltimas semanas com a imagem de M\u00e1rcia Friggi, de Indaial (SC), fotografada com sangue no rosto ap\u00f3s levar um soco de um aluno. A cena chamou a aten\u00e7\u00e3o para casos que se repetem todos os dias em todos os Estados.<\/p>\n<p>Em 2015, 23 mil professores do pa\u00eds relataram ter sido amea\u00e7ados por algum estudante da escola, segundo question\u00e1rios da Prova Brasil, exame aplicado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para especialistas, dois fatores se combinam para explicar as agress\u00f5es. De um lado, est\u00e1 a viol\u00eancia que existe na pr\u00f3pria sociedade. &#8220;Os conflitos transpassam o muro da escola e continuam ali&#8221;, afirma Renato Alves, pesquisador do NEV (N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia) da USP.<\/p>\n<p>&#8220;Crian\u00e7as que vivem em ambientes violentos tendem a se relacionar de maneira pior com seus colegas e professores&#8221;, completa Priscilla de Albuquerque Tavares, da FGV.<\/p>\n<p>Por outro lado, a desconex\u00e3o entre o aluno e a escola agrava o problema, diz Bernard Charlot, que conduziu pesquisas sobre o tema para o governo franc\u00eas e hoje \u00e9 professor visitante na Universidade Federal de Sergipe. &#8220;Um aluno que passa cinco dias na escola desinteressado, sem ver sentido no que aprende, vira foco de tens\u00e3o permanente. Com qualquer fa\u00edsca, pode gerar inc\u00eandio.&#8221;<\/p>\n<h3>Socos e pontap\u00e9s<\/h3>\n<p>&#8220;Quem \u00e9 que sai para trabalhar pensando em tomar um soco na cara?&#8221; A pergunta n\u00e3o sai da cabe\u00e7a do professor M\u00e1rcio Gomes, 40, h\u00e1 mais de um m\u00eas. Na primeira quinta-feira de agosto, dia 3, ele sentiu um clima estranho j\u00e1 durante a aula, numa escola estadual da cidade de Bragan\u00e7a Paulista (SP).<\/p>\n<p>Ensinava equa\u00e7\u00e3o de segundo grau quando um aluno que ele nunca tinha visto entrou na sala, pegou o celular de outro estudante e fez barulho no corredor ao sair. Advertido por uma funcion\u00e1ria, gritou palavr\u00f5es e disse que iria dar um soco nela.<\/p>\n<p>Ao ouvir a amea\u00e7a, M\u00e1rcio procurou a colega para alert\u00e1-la. N\u00e3o imaginava que era ele quem iria, involuntariamente, entrar na estat\u00edstica de professores atacados em seu local de trabalho.<\/p>\n<p>Naquele dia, menos de tr\u00eas semanas antes de a professora M\u00e1rcia Friggi ser atacada em Santa Catarina, M\u00e1rcio foi surpreendido no p\u00e1tio pelo aluno desconhecido que entrara no meio da sua aula.<\/p>\n<p>&#8220;Ele estava sentado em um grupo&#8221;, lembra. &#8220;Com um olhar fixo de raiva, levantou-se, veio at\u00e9 mim e come\u00e7ou a me dar socos e pontap\u00e9s. Andei uns quatro metros para tr\u00e1s at\u00e9 escapar.&#8221; O apagador que M\u00e1rcio segurava quebrou. As pancadas atingiram sua cabe\u00e7a e sua perna.<\/p>\n<p>O motivo do ataque o professor n\u00e3o sabe bem at\u00e9 hoje. Desconfia que o estudante, de 16 anos, possa ter ficado revoltado quando ele alertou a outra funcion\u00e1ria sobre a amea\u00e7a no corredor.<\/p>\n<h3>Despropor\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A perplexidade dos professores agredidos ao lembrar o in\u00edcio do epis\u00f3dio de viol\u00eancia \u00e9 comum em seus relatos. Por mais injustific\u00e1vel que seja o ato de viol\u00eancia em si, chama a aten\u00e7\u00e3o a desproporcionalidade entre a agress\u00e3o e a desaven\u00e7a que a originou.<\/p>\n<p>Maria (nome fict\u00edcio), 39, foi parar na UTI ap\u00f3s um aluno reclamar que recebera a nota errada numa escola da zona leste de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Professor de artes, Jeferson Siqueira, 49, foi golpeado com uma cadeira ap\u00f3s repreender um jovem que havia batido o caderno com for\u00e7a na mesa num col\u00e9gio na zona norte. Machucou antebra\u00e7o, cotovelo e m\u00e3o. Teve o dedo mindinho quebrado.<\/p>\n<p>Luciana Rocha Frias, 41, foi xingada aos gritos pela m\u00e3e de uma crian\u00e7a da rede municipal ap\u00f3s um mal entendido sobre o tamanho do uniforme. Funcion\u00e1rios se colocaram na frente da professora para impedir a agress\u00e3o.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno do &#8220;motivo f\u00fatil&#8221; j\u00e1 foi identificado em pesquisas sobre viol\u00eancia escolar de outros pa\u00edses, diz Bernard Charlot, professor aposentado da Universidade Paris 8 que conduziu estudos sobre o tema para o governo franc\u00eas h\u00e1 duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&#8220;Quando se analisam os casos, muitas vezes n\u00e3o se entende como uma coisa t\u00e3o pequena gerou uma rea\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte&#8221;, diz ele, que hoje atua na Universidade Federal de Sergipe. &#8220;Mas, em geral, j\u00e1 havia uma quest\u00e3o maior antes do epis\u00f3dio de viol\u00eancia -n\u00e3o necessariamente ligada ao professor.&#8221;<\/p>\n<p>No caso de Jeferson, por exemplo, o col\u00e9gio tinha um problema com drogas. Dias antes, ele e o aluno que depois o agrediu haviam tido uma discuss\u00e3o. &#8220;Ele traficava dentro da escola e sentava perto da porta para cobrar as pessoas no corredor. Mandei ele fechar a porta, e ele ficou nervoso&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Muitas vezes a agress\u00e3o na escola tamb\u00e9m ocorre ap\u00f3s uma sucess\u00e3o de pequenos atos de incivilidade, de acordo com Renato Alves, pesquisador do NEV (N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia) da USP e autor de estudos sobre o tema.<\/p>\n<p>Se a escola n\u00e3o tomar uma atitude que deixe claro que aquilo n\u00e3o pode ser feito, um xingamento e um bullying, por exemplo, podem redundar em um ataque f\u00edsico. \u00c9 importante notar, diz, que muitas vezes o ato de viol\u00eancia \u00e9 s\u00f3 a ponta do iceberg de uma s\u00e9rie de frustra\u00e7\u00f5es que explodem dentro da escola.<\/p>\n<h3>Frustra\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Professor em Mogi das Cruzes, \u00c1lvaro Dias lista alguns acontecimentos recentes nas escolas da cidade, para ele sintomas da frustra\u00e7\u00e3o com uma mesma gest\u00e3o educacional fracassada: alunos jogaram verniz e urinaram em uma caixa-d&#8217;\u00e1gua; fizeram corredor polon\u00eas para agredir colegas; queimaram o carro de uma diretora; agrediram mais de uma professora.<\/p>\n<p>F\u00e1bia Morente, 41, foi uma delas. Com 20 anos de profiss\u00e3o, a docente entrou mais de uma vez na estat\u00edstica.<\/p>\n<p>Os epis\u00f3dios come\u00e7aram h\u00e1 alguns meses, ap\u00f3s ela avisar uma colega que alunos haviam quebrado uma vidra\u00e7a do col\u00e9gio. Pouco depois, ela chegou em seu carro e descobriu que tinham descarregado no ve\u00edculo todo o conte\u00fado de um extintor.<\/p>\n<p>Em abril deste ano, veio a situa\u00e7\u00e3o mais grave, no meio de uma aula do 9\u00ba ano. &#8220;A porta da sala estava aberta. Eu s\u00f3 vi uma lixeira voando, e os alunos gritando: &#8216;n\u00e3o!&#8217;.&#8221; N\u00e3o deu tempo de desviar. A lixeira -cheia- bateu na cabe\u00e7a e no ombro de F\u00e1bia.<\/p>\n<p>Na \u00faltima quarta-feira (13), ela decidiu voltar \u00e0 delegacia, agora por causa de outro ataque. Dessa vez, a porta da sala estava fechada. Um aluno colocou uma bombinha no buraco da porta, e estilha\u00e7os atingiram seu ombro. &#8220;Recebemos uma cobran\u00e7a enorme, mas n\u00e3o temos estrutura para trabalhar&#8221;, reclama ela.<\/p>\n<p>Agress\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o o \u00fanico problema enfrentado pelas professoras mulheres. Luciana (nome fict\u00edcio) registrou queixas de outra ordem. Ela d\u00e1 aulas de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica em uma escola p\u00fablica da periferia de Campinas (interior de S\u00e3o Paulo) e prefere n\u00e3o ser identificada.<\/p>\n<p>Conta que, no in\u00edcio do ano, alunos come\u00e7aram a assedi\u00e1-la. Ela passou de sala em sala e pediu respeito. Um m\u00eas depois, viu seu carro inteiro riscado de &#8220;canet\u00e3o&#8221;, com palavras como &#8220;gostosa&#8221; e desenhos obscenos. At\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe quem foi o autor -o que significa que ningu\u00e9m foi punido.<\/p>\n<p>Educadora da rede municipal, Silvana Ferreira, 32, foi alvo de outro crime, tamb\u00e9m dentro da escola, uma unidade da rede municipal em Cidade Tiradentes (zona leste). Bandidos entraram no fim do dia, trancaram os professores em uma sala e levaram todos os pertences. &#8220;A gente at\u00e9 espera ser abordado na rua, mas n\u00e3o no seu local de trabalho&#8221;, afirma.<\/p>\n<h3>Consequ\u00eancias<\/h3>\n<p>Ainda que graves, poucos casos se comparam ao de Maria (nome fict\u00edcio), que pediu para n\u00e3o ser identificada. &#8220;Rodo nela&#8221;, escreveu em uma rede social um aluno de 16 anos ap\u00f3s dar uma rasteira nela, em uma escola na zona leste de S\u00e3o Paulo. O ataque aconteceu ap\u00f3s uma discuss\u00e3o sobre o registro da nota do estudante.<\/p>\n<p>Pega de surpresa pela rasteira, Maria caiu, bateu a cabe\u00e7a e ficou mais de cinco minutos desacordada. No ch\u00e3o da escola estadual na zona leste de S\u00e3o Paulo, teve convuls\u00f5es e ficou tr\u00eas dias em observa\u00e7\u00e3o na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital, com a costela trincada.<\/p>\n<p>Hoje, est\u00e1 bem de sa\u00fade. Mas tem medo e, com medo, n\u00e3o \u00e9 mais a mesma na sala de aula, diz. &#8220;A minha mat\u00e9ria [matem\u00e1tica] n\u00e3o \u00e9 a do professor mais bonzinho. A gente precisa de aten\u00e7\u00e3o, disciplina, que os alunos fa\u00e7am o exerc\u00edcio&#8221;, afirma. &#8220;Mas n\u00e3o consigo mais ter a mesma autoridade. Se um aluno falasse que n\u00e3o ia fazer algo, antes eu insistia. Agora eu s\u00f3 respondo: &#8216;t\u00e1&#8217; bom.&#8221;<\/p>\n<p>Seu caso, ocorrido no fim do ano passado, causou como\u00e7\u00e3o na rede estadual. Professores de diversos col\u00e9gios foram trabalhar vestidos de preto. Alunos fizeram protestos e homenagens \u00e0 professora. Em um dos cartazes, lia-se: &#8220;professores desmotivados, alunos prejudicados&#8221;.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o revela duas caracter\u00edsticas da viol\u00eancia escolar. A primeira \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do que podem dar a entender n\u00fameros alarmantes, os atos s\u00e3o praticados e tolerados por uma minoria. &#8220;Os casos que ocorrem s\u00e3o muito graves, mas n\u00e3o significa que a escola virou um lugar onde predominam o medo e os ataques&#8221;, diz Alves, do NEV\/USP.<\/p>\n<p>A segunda caracter\u00edstica \u00e9 que, se os agressores s\u00e3o minoria, as consequ\u00eancias de seus atos atingem toda a escola. Aulas s\u00e3o interrompidas, profissionais adoecem e pedem licen\u00e7a, e alunos ficam sem professores.<\/p>\n<p>Atacada pela m\u00e3e da aluna, Luciana Rocha, 41, ficou dois anos afastada ap\u00f3s o epis\u00f3dio, por motivos de sa\u00fade. &#8220;N\u00e3o consigo mais entrar na sala de aula&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ela hoje exerce fun\u00e7\u00f5es administrativas, assim como Jeferson, que foi atacado com a cadeira em 2015. Desde que foi golpeado, ele toma medicamentos contra depress\u00e3o e s\u00edndrome do p\u00e2nico. Evita pegar \u00f4nibus na hora do almo\u00e7o para n\u00e3o encontrar outros estudantes no transporte. Talvez at\u00e9 volte a lecionar, mas n\u00e3o tem certeza.<\/p>\n<p>Agredido h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas em Bragan\u00e7a Paulista, M\u00e1rcio voltou \u00e0 sala de aula, mas em outra escola. Dessa vez, conta, foi ele que pediu desculpas aos estudantes -por n\u00e3o conseguir &#8220;se segurar&#8221; na sala. &#8220;Chorei por quase um minuto e meio na frente deles&#8221;, afirma.<\/p>\n<h3>Solu\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>Apontados como fatores que influenciam a viol\u00eancia escolar, os problemas sociais e de seguran\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o se resolvem simplesmente por iniciativa das escolas. Na tentativa de uma solu\u00e7\u00e3o interna, escolas de S\u00e3o Paulo t\u00eam apostado em a\u00e7\u00f5es de media\u00e7\u00e3o de conflito.<\/p>\n<p>Na rede estadual, desde 2010, professores t\u00eam sido treinados para atuar em casos de ofensas, amea\u00e7as e agress\u00f5es, inclusive com a\u00e7\u00f5es preventivas. A atua\u00e7\u00e3o desses profissionais tinha melhorado a situa\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, diz Maria Izabel Noronha, dirigente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual). Segundo ela, por\u00e9m, parte do quadro desses profissionais foi cortada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB).<\/p>\n<p>Chefe de gabinete da secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, Wilson Levy rebate a informa\u00e7\u00e3o e afirma que houve uma jun\u00e7\u00e3o desse programa com outro, de escola da fam\u00edlia. Segundo ele, a pasta anunciar\u00e1 em breve um programa para aumentar o n\u00famero de professores mediadores na rede, com foco nas regi\u00f5es com maior vulnerabilidade social do Estado. &#8220;Mas \u00e9 preciso lembrar que o que acontece na escola \u00e9 um sintoma&#8221;, afirma. &#8220;A viol\u00eancia est\u00e1 na sociedade.&#8221;<\/p>\n<p><em>(Fonte: Folha de S. Paulo)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada dia, em m\u00e9dia, quase dois professores s\u00e3o agredidos em seus locais de trabalho no Estado de S\u00e3o Paulo, mostram dados de registros policiais obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o. 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