{"id":31546,"date":"2017-09-14T10:47:35","date_gmt":"2017-09-14T13:47:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=31546"},"modified":"2017-09-14T11:04:17","modified_gmt":"2017-09-14T14:04:17","slug":"maior-acidente-radiologico-do-mundo-cesio-137-completa-26-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/09\/14\/maior-acidente-radiologico-do-mundo-cesio-137-completa-26-anos\/","title":{"rendered":"Maior acidente radiol\u00f3gico do mundo, c\u00e9sio-137 completa 30 anos"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 exatos 30 anos, Goi\u00e2nia era atingida por aquele que \u00e9 considerado o maior acidente radiol\u00f3gico do mundo. A trag\u00e9dia envolvendo o c\u00e9sio-137 deixou centenas de pessoas mortas contaminadas pelo elemento e outras tantas com sequelas irrevers\u00edveis.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito radioativo, o c\u00e9sio-137 s\u00f3 n\u00e3o foi maior que o acidente na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucr\u00e2nia, segundo a Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (Cnen). O incidente teve in\u00edcio depois que dois jovens catadores de papel encontraram e abriram um aparelho contendo o elemento radioativo. A pe\u00e7a foi achada em um pr\u00e9dio abandonado, onde funcionava uma cl\u00ednica desativada.<\/p>\n<p>Mesmo passadas mais de duas d\u00e9cadas da trag\u00e9dia, o acidente ainda deixa resqu\u00edcios de medo. Um exemplo \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do local onde morava uma das pessoas que encontraram a pe\u00e7a. A casa em que vivia o catador foi demolida no mesmo ano em que tudo ocorreu. Apesar de o solo ter sido todo retirado e ter sido substitu\u00eddo por v\u00e1rias camadas de concreto, nunca mais qualquer tipo de constru\u00e7\u00e3o foi feita no local.<\/p>\n<h3>Riscos<\/h3>\n<p>Segundo o supervisor de radiodivis\u00e3o C\u00e9sar Luis Vieira, que tamb\u00e9m trabalhou na \u00e9poca do acidente, o risco de contamina\u00e7\u00e3o em Goi\u00e2nia foi praticamente extinto. &#8220;Se for comparar o resultado de hoje com o da \u00e9poca, \u00e9 uma diferen\u00e7a [de radia\u00e7\u00e3o] quase mil vezes menor&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>C\u00e9sar explica ainda que o n\u00edvel de radia\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 considerado dentro dos padr\u00f5es normais. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhum lugar que n\u00e3o tenha material radioativo, como, por exemplo, o ur\u00e2nio, que est\u00e1 no solo. \u00c9 o que a gente chama de radia\u00e7\u00e3o natural, mas que n\u00e3o oferece risco&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>Cerca de 6 mil toneladas de lixo radioativo foram recolhidas na capital goiana ap\u00f3s o acidente. Todo esse material com suspeita de contamina\u00e7\u00e3o foi levado\u00a0 para a unidade de do Cnen em Abadia de Goi\u00e1s, na Regi\u00e3o Metropolitana da capita, onde foi enterrado.<\/p>\n<p>Passadas mais de duas d\u00e9cadas, os res\u00edduos j\u00e1 perderam metade da radia\u00e7\u00e3o. No entanto, o risco completo de radia\u00e7\u00e3o s\u00f3 deve desaparecer em pelo menos 275 anos.<\/p>\n<h3>Reclama\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>Para relembrar o acidente, aconteceu nesta sexta-feira uma reuni\u00e3o na Assembleia Legislativa com mais de 100 v\u00edtimas do c\u00e9sio-137. A maioria deles ainda tem sequelas contra\u00eddas durante o epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>O aposentado Teodoro Bispo, que trabalhou na descontamina\u00e7\u00e3o da \u00e1rea afetada pelo acidente, teve problemas em v\u00e1rias partes do corpo, principalmente na vis\u00e3o, por causa do contato com o elemento radioativo. Ele cobrou melhorias na assist\u00eancia hospitalar e mais aten\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico para as v\u00edtimas.<\/p>\n<p>&#8220;Eles falam que n\u00e3o ir\u00edamos ter nada, mas tem muita gente morrendo. A gente se sente abandonado. N\u00f3s que descontaminamos Goi\u00e2nia recebemos apenas R$ 622&#8221;, lamenta.<\/p>\n<h3>Contamina\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A trag\u00e9dia come\u00e7ou quando dois jovens catadores de materiais recicl\u00e1veis abrem um aparelho de radioterapia em um pr\u00e9dio p\u00fablico abandonado, no dia 13 de setembro de 1987, no Centro de Goi\u00e2nia. Eles pensavam em retirar o chumbo e o metal para vender e ignoravam que dentro do equipamento havia uma c\u00e1psula contendo c\u00e9sio-137, um metal radioativo.<\/p>\n<p>Apesar de o aparelho pesar cerca de 100 kg, a dupla o levou para casa de um deles, no Centro. J\u00e1 no primeiro dia de contato com o material, ambos come\u00e7aram a apresentar sintomas de contamina\u00e7\u00e3o radioativa, como tonteiras, n\u00e1useas e v\u00f4mitos. Inicialmente, n\u00e3o associaram o mal-estar ao c\u00e9sio-137, e sim \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de cinco dias, o equipamento foi vendido para Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho localizado no Setor Aeroporto, tamb\u00e9m na regi\u00e3o central da cidade. Neste local, a c\u00e1psula foi aberta e, \u00e0 noite, Devair constatou que o material tinha um brilho azul intenso e levou o material para dentro de casa.<\/p>\n<p>Devair, sua esposa Maria Gabriela Ferreira e outros membros de sua fam\u00edlia tamb\u00e9m come\u00e7aram a apresentar sintomas de contamina\u00e7\u00e3o radioativa, sem fazer ideia do que tinham em casa. Ele continuava fascinado pelo brilho do material. Entre os dias 19 e 26 de setembro, a c\u00e1psula com o c\u00e9sio foi mostrada para v\u00e1rias pessoas que passaram pelo ferro-velho e tamb\u00e9m pela casa da fam\u00edlia.<\/p>\n<h3>Leide das Neves<\/h3>\n<p>A primeira v\u00edtima fatal do acidente radiol\u00f3gico foi a garota Leide das Neves Ferreira, de 6 anos. Ela se tornou o s\u00edmbolo dessa trag\u00e9dia e morreu depois de se encantar com o p\u00f3 radioativo que brilhava durante a noite.<\/p>\n<p>A menina ainda fez um lanche depois de brincar com a novidade, acabou ingerindo, acidentalmente, part\u00edculas do p\u00f3 misturadas ao alimento. Isso aconteceu longe dos olhos da m\u00e3e, Lourdes das Neves Ferreira.<\/p>\n<p>Em entrevista concedida no ano passado, Lourdes disse que se sente culpada pela morte da filha. \u201cFica passando um filme na minha cabe\u00e7a. S\u00e3o 25 anos de sofrimento, de dor, de tristeza e de ang\u00fastia. Eu me arrependo e cobro de mim mesma. Se eu n\u00e3o tivesse ido tomar banho, talvez ela n\u00e3o tivesse ingerido [part\u00edculas de p\u00f3 do c\u00e9sio]&#8221;, disse.<\/p>\n<p><em>(Fonte: G1)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 exatos 30 anos, Goi\u00e2nia era atingida por aquele que \u00e9 considerado o maior acidente radiol\u00f3gico do mundo. A trag\u00e9dia envolvendo o c\u00e9sio-137 deixou centenas de pessoas mortas contaminadas pelo elemento e outras tantas com sequelas irrevers\u00edveis. 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