{"id":31535,"date":"2017-09-12T15:50:44","date_gmt":"2017-09-12T18:50:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=31535"},"modified":"2017-09-12T15:50:44","modified_gmt":"2017-09-12T18:50:44","slug":"romper-o-paradigma-contra-as-pessoas-com-deficiencia-ainda-e-um-tabu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/09\/12\/romper-o-paradigma-contra-as-pessoas-com-deficiencia-ainda-e-um-tabu\/","title":{"rendered":"Romper o paradigma contra as pessoas com defici\u00eancia ainda \u00e9 um tabu"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Quando olhamos para as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, falamos que s\u00e3o pessoas usu\u00e1rias de drogas; quando olhamos para as pessoas LGBT\u00b4s, pensamos que todas s\u00e3o prom\u00edscuas, e quando olhamos para as pessoas com defici\u00eancia, dizemos que todas elas n\u00e3o podem. O r\u00f3tulo \u00e9 uma coisa muito complexa no nosso cotidiano e se desvencilhar disso \u00e9 muito dif\u00edcil&#8221;, comenta a pedagoga Maria de F\u00e1tima e Silva.<\/p>\n<p>Diante da fala da pedagoga \u00e9 poss\u00edvel perceber que o preconceito contra nordestinos, imigrantes, negros, gays, l\u00e9sbicas, travestis, transgen\u00earos, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o discriminadas pela sociedade.<\/p>\n<p>A sua experi\u00eancia mostra que o paradigma que a sociedade tem perante as diversidades existentes no mundo faz com que leis e a\u00e7\u00f5es sejam institu\u00eddas com o objetivo de proteg\u00ea-las. &#8220;O respeito \u00e0 diversidade \u00e9 fundamental para constituir e promover a inclus\u00e3o&#8221;, salienta Maria de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>A pedagoga milita h\u00e1 muitos anos na \u00e1rea de Inclus\u00e3o de Pessoas com Defici\u00eancia e apoia o Espa\u00e7o e Cidadania que tem como premissa debater pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a igualdade de oportunidades. Para ela, a inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho ainda \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&#8220;O reflexo dos paradigmas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia \u00e9 levado para o mundo do trabalho. Os processos de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o guardam as maiores discrimina\u00e7\u00f5es que temos na sociedade. O mundo corporativo deveria ter um olhar mais humanizado e de sustentabilidade para contratar uma pessoa com defici\u00eancia&#8221;, ressalta Maria de F\u00e1tima. Completa que a empresa \u00e9 uma raz\u00e3o social e um CNPJ, por\u00e9m, quem discrimina s\u00e3o as pr\u00f3prias pessoas que ocupam cargos e fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A pedagoga informa que no \u00e2mbito familiar mesmo tendo algumas dificuldades, existem as rela\u00e7\u00f5es emocionais. Bem como, na educa\u00e7\u00e3o, em que alguns aspectos ainda mesmo necessitando de ajustes, a linha \u00e9 mais humanizada.<\/p>\n<p>J\u00e1, no mundo do trabalho, \u00e9 bem diferente. A exig\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o, no foco e no cumprimento de metas vem crescendo a cada momento e exigindo mais dos trabalhadores. &#8220;Como trazemos para esse mundo esse olhar para o direito, o respeito e os potenciais de cada um, ou seja, de olhar para o outro como eu gostaria que olhassem para mim&#8221;, interroga Maria de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Vis\u00e3o das empresas<\/p>\n<p>A especialista quando palestra sobre a inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho encontra uma rejei\u00e7\u00e3o, pois o mundo corporativo acredita que n\u00e3o \u00e9 problema deles, mas somente do governo e dos familiares.<\/p>\n<p>&#8220;A empresa n\u00e3o est\u00e1 fora do organismo da sociedade. Contudo, precisa compreender o seu papel de transform\u00e1-la&#8221;, frisa Silva.<\/p>\n<p>H\u00e1 26 anos foi institu\u00edda a Lei de Cotas n\u00ba 8.213, com o sentido de garantir o direito das pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho. O Minist\u00e9rio do Trabalho, por meio de suas superintend\u00eancias regionais desenvolve a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o e de trabalhos de conscientiza\u00e7\u00e3o, para que as empresas com mais de 100 funcion\u00e1rios respeitem a Lei de Cotas.<\/p>\n<p>A pedagoga cita tamb\u00e9m que em janeiro de 2016, foi regulamentada a Lei Brasileira de Inclus\u00e3o de Pessoas com Defici\u00eancia n\u00ba 13.146 de 2015, a qual coloca em condi\u00e7\u00f5es de igualdade para exercerem atos da vida civil.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria ao longo dos s\u00e9culos<\/p>\n<p>Maria de F\u00e1tima salienta que conforme observa\u00e7\u00e3o do educador em direitos humanos, Reinaldo Bulgarelli, o padr\u00e3o dominante \u00e9 aquele eleito na consci\u00eancia das pessoas, individual e coletivamente, com base na nossa hist\u00f3ria, nos costumes, nos aprendizados que herdamos das gera\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 considerado padr\u00e3o dominante o homem branco, heterossexual, adulto, sem defici\u00eancia, saud\u00e1vel, magro, cat\u00f3lico e entre outros.<\/p>\n<p>Em um per\u00edodo da Idade Antiga, Idade M\u00e9dia e da Idade Moderna (s\u00e9culo XV ao XVIII), exclu\u00eda-se totalmente a pessoa com defici\u00eancia. De acordo com estudos, essas pessoas eram consideradas inv\u00e1lidas e, que diante disso, n\u00e3o poderiam exercer nenhuma atividade. Sobretudo, conviver no seio familiar ou com a sociedade, pois eram mantidas em hospitais, abrigos e pris\u00f5es.<\/p>\n<p>A pedagoga informa que na exclus\u00e3o: &#8220;os semelhantes se aproximam e todos os que s\u00e3o considerados diferentes est\u00e3o fora, cada um por si&#8221;; segrega\u00e7\u00e3o: &#8220;os semelhantes se aproximam, enquanto os diferentes tamb\u00e9m se agrupam&#8221;; integra\u00e7\u00e3o: &#8220;os diferentes est\u00e3o no mesmo espa\u00e7o f\u00edsico, mas ainda assim separados. Exemplo: as classes especiais, que funcionavam no mesmo pr\u00e9dio escolar, mas em sala de aula separada\u201d; inclus\u00e3o: &#8220;todos juntos e misturados, no mesmo espa\u00e7o f\u00edsico&#8221;.<\/p>\n<p>Com esse \u00faltimo pensamento, Maria de F\u00e1tima, informa que em 10 de dezembro de 1948, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) por meio da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos (DUDH) ressaltava que &#8220;todas as pessoas nascem livres e iguais em direitos. S\u00e3o dotadas de raz\u00e3o e consci\u00eancia e devem agir em rela\u00e7\u00e3o uma \u00e0 outra pessoa com esp\u00edrito de fraternidade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;As caracter\u00edsticas n\u00e3o definem quem eu sou, ou o meu car\u00e1ter e compet\u00eancia profissional. S\u00e3o as nossas diferen\u00e7as que fazem um mundo melhor&#8221;, enaltece a pedagoga.<\/p>\n<p>Ao final da apresenta\u00e7\u00e3o, a pedagoga informa que existe como parte do Programa Coexistir, um Guia de Capacita\u00e7\u00e3o para Profissionais que Atuam no Segmento Varejista Aliment\u00edcia com Programas de Inclus\u00e3o. Trata-se de uma cartilha in\u00e9dita e gratuita desenvolvida pelo Sindicato do Com\u00e9rcio Varejista de G\u00eaneros Aliment\u00edcios do Estado de S\u00e3o Paulo, em parceria com o Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, o intuito da publica\u00e7\u00e3o \u00e9 apoiar os departamentos de Recursos Humanos (RH) na contrata\u00e7\u00e3o de profissionais com defici\u00eancia, podendo ser utilizada por empresas de todos os setores.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica Eliane Vainer Loeff da Coordena\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o (CEd), comenta que em um planeta que possui 7,6 bilh\u00f5es de habitantes, se todos fossem iguais provavelmente n\u00e3o ter\u00edamos a riqueza da diversidade. No entanto, ela frisa que \u00e9 fundamental respeitar a individualidade e peculiaridade de cada um.<\/p>\n<p>\u201cSegundo a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos n\u00e3o se pode ter discrimina\u00e7\u00e3o ou preconceito de ra\u00e7a, cor, etnia, religi\u00e3o e outros. Nesse sentido, as empresas que adotam e incluem as pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o empresas muito mais humanizadas. A pior barreira que a pessoa com defici\u00eancia enfrenta no seu dia a dia, n\u00e3o est\u00e1 ligada somente na barreira arquitet\u00f4nica, mas, sim, na barreira atitudinal\u201d, frisa Eliane.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00e3o do evento e mesa de abertura<\/p>\n<p>Eliane Loeff da (CEd), promoveu o evento sobre Diversidade e Inclus\u00e3o: Qual \u00e9 o seu Papel, no Centro T\u00e9cnico Nacional da Fundacentro, realizado no dia 09 de agosto.<\/p>\n<p>A mesa de abertura foi composta pela presidente da institui\u00e7\u00e3o, Leonice da Paz, e pela assessora da Diretoria T\u00e9cnica, Tereza Luiza Ferreira Santos. A presidente parabeniza a iniciativa da Eliane Loeff e a palestra da pedagoga em abordar um tema importante para reflex\u00e3o sobre no papel da sociedade em respeitar a diversidade.<\/p>\n<p>&#8220;A Fundacentro completar\u00e1 51 anos e, eventos desta envergadura e pessoas engajadas nessas causas, t\u00eam enaltecido a nossa institui\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional e internacional&#8221;, frisa Leonice.<br \/>\nTereza Ferreira destaca as atividades realizadas pela Coordena\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o (CEd), que vem desde 2008, implementando tem\u00e1ticas sobre inclus\u00e3o, pessoas com defici\u00eancia e lei de cotas. Para a assessora t\u00e9cnica, as tem\u00e1ticas sobre diversidade e inclus\u00e3o precisam ser inseridas no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>\u201cEste tema \u00e9 totalmente pertinente, porque diversidade a gente v\u00ea no modo de produ\u00e7\u00e3o, nas formas de estar no mundo, nas diversas pessoas e nas v\u00e1rias maneiras como as pessoas se comportam diante de um determinado tempo ou situa\u00e7\u00e3o. Antigamente n\u00e3o se falava tanto de inclus\u00e3o, hoje em dia \u00e9 um tema importante porque existe a necessidade de conviver com as diferen\u00e7as&#8221;, salienta Tereza. Ela ainda ressalta sobre as quest\u00f5es de exclus\u00e3o e inclus\u00e3o. &#8220;A inclus\u00e3o fazemos com pol\u00edticas, mas tamb\u00e9m fazemos com mudan\u00e7as de comportamento&#8221;, explana.<\/p>\n<p><em>Fonte: Fundacentro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quando olhamos para as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, falamos que s\u00e3o pessoas usu\u00e1rias de drogas; quando olhamos para as pessoas LGBT\u00b4s, pensamos que todas s\u00e3o prom\u00edscuas, e quando olhamos para as pessoas com defici\u00eancia, dizemos que todas elas n\u00e3o podem. 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