{"id":3144,"date":"2015-06-03T09:30:55","date_gmt":"2015-06-03T12:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2015\/06\/03\/alcool-e-drogas-no-trabalho-como-lidar-de-forma-tecnicamente-correta-legal-e-eticamente-adequada\/"},"modified":"2015-06-03T09:30:55","modified_gmt":"2015-06-03T12:30:55","slug":"alcool-e-drogas-no-trabalho-como-lidar-de-forma-tecnicamente-correta-legal-e-eticamente-adequada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2015\/06\/03\/alcool-e-drogas-no-trabalho-como-lidar-de-forma-tecnicamente-correta-legal-e-eticamente-adequada\/","title":{"rendered":"\u00c1lcool e drogas no trabalho, como lidar de forma tecnicamente correta, legal e eticamente adequada"},"content":{"rendered":"<p><em>Data: 3 de junho<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Aus\u00eancias reiteradas do trabalho, em especial no in\u00edcio da semana, s\u00e3o sinais de que o trabalhador pode ter problemas com \u00e1lcool e drogas. Dados da Previd\u00eancia Social mostram que, entre 2009 e 2013, o n\u00famero de aux\u00edlios-doen\u00e7a concedidos por transtornos mentais e comportamentais pelo uso de drogas aumentou mais de 50% no Pa\u00eds \u2013 o total foi de 49.276 benef\u00edcios. Nesse per\u00edodo, os provocados por abuso de \u00e1lcool cresceram 19,6% e os por coca\u00edna, 84,6%. Com as demais subst\u00e2ncias, elevaram em 40%. N\u00e3o apenas as chamadas drogas il\u00edcitas, visto que h\u00e1 um crescente abuso e uso indevido de medicamentos no Brasil, muitos comprados no mercado negro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo a m\u00e9dica M\u00e1rcia Bandini, diretora da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho, para descobrir que o empregado \u00e9 viciado depende da subst\u00e2ncia, quantidade, perfil e atividade exercida. \u201cIsso \u00e9 vari\u00e1vel, mas h\u00e1 alguns sinais de alerta que podem ser identificados\u201d, afirma. Por exemplo, mudan\u00e7a do comportamento ou labilidade emocional. O trabalhador que habitualmente era soci\u00e1vel e expansivo, torna-se arredio e introvertido, al\u00e9m de agressivo e irritadi\u00e7o. Quando bebe, durante o hor\u00e1rio do almo\u00e7o, seu h\u00e1lito tamb\u00e9m vai denunci\u00e1-lo. As maneiras de descobrir s\u00e3o muitas, mas, claro, se houver um setor de RH interessado em resolver o problema. Relatos de colegas de trabalho sobre mudan\u00e7as de comportamento podem ainda colaborar, mas devem ser avaliados com extremo cuidado. Todos os ind\u00edcios s\u00e3o subjetivos e precisam ser confirmados. Uma empresa que afirma que o funcion\u00e1rio \u00e9 alco\u00f3latra ou drogado, sem comprova\u00e7\u00e3o, estar\u00e1 sendo leviana. Nos casos confirmados, a empresa deve entender que h\u00e1 a\u00ed um problema de sa\u00fade, pass\u00edvel de tratamento, que o trabalhador deve ser encaminhado e acompanhado. \u201cA adi\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool ou drogas \u00e9 condi\u00e7\u00e3o contemplada pela Classifica\u00e7\u00e3o Internacional das Doen\u00e7as \u2013 CID-10, como F10, que gera transtornos mentais e comportamentais pelo uso de \u00e1lcool, e F19, transtorno mental e comportamental pelo uso de m\u00faltiplas drogas e outras subst\u00e2ncias psicoativas\u201d. Em geral, os trabalhos menos prestigiados, que envolvam maior risco \u00e0 vida, altamente estressantes ou que exijam a manipula\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria em degrada\u00e7\u00e3o apresentam uma maior preval\u00eancia do uso, principalmente, \u00e1lcool. Coletores de lixo, trabalhadores de necrot\u00e9rio, pessoas que lidam com captura e sacrif\u00edcio de animais, trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, pessoas que atuam em locais remotos e passam per\u00edodos prolongados longe da fam\u00edlia s\u00e3o as principais v\u00edtimas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 preciso cuidado nesse tipo de avalia\u00e7\u00e3o, principalmente porque o \u00e1lcool \u00e9 uma subst\u00e2ncia socialmente aceita e com uso amplamente disseminado em todas as classes sociais. Por isso, \u00e9 comum identificar o abuso de \u00e1lcool tamb\u00e9m entre profissionais qualificados como os de sa\u00fade e executivos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao uso de drogas, vale o mesmo racioc\u00ednio: cada caso deve ser acompanhado de uma avalia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, bem como das sociais, em especial familiares. O tipo de trabalho pode funcionar como agravante da adi\u00e7\u00e3o ou, por outro lado, pode haver situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de risco que devem ser avaliadas individualmente. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, sabe-se que o apoio \u00e9 fundamental para o sucesso do tratamento. Por isso, \u00e9 importante envolv\u00ea-la no processo. Segundo explica, a empresa deve aproximar-se com cuidado do trabalhador com o problema. Essa abordagem deve trazer uma sa\u00edda para a condi\u00e7\u00e3o que, em geral, produz sofrimento para ele mesmo. De acordo com o n\u00edvel de relacionamento, o pr\u00f3prio supervisor pode fazer uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o \u2013 ou o gestor de pessoas ou o profissional de sa\u00fade. Depende de cada caso, mas h\u00e1 duas condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u2013 uma \u00e9 que haja confian\u00e7a entre quem vai fazer a primeira abordagem e o trabalhador com o problema; outra, \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio haver um encaminhamento adequado para o caso de tratamento ou reabilita\u00e7\u00e3o. Em alguns casos, pode ser feito sem que seja necess\u00e1rio sequer o afastamento do trabalho.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em geral, recomenda-se que participem m\u00e9dico e psicoterapeuta, minimamente. Casos mais graves podem exigir afastamento, sem interna\u00e7\u00e3o, para tratamento intensivo, com acompanhamento frequente e quase di\u00e1rio. Finalmente, alguns casos podem exigir interna\u00e7\u00e3o em cl\u00ednicas de reabilita\u00e7\u00e3o, por tempo variado. O uso de medicamentos de suporte deve ser avaliado. Quase sempre h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o de um grupo de apoio. Em algumas empresas, esse tipo de tratamento \u00e9 contemplado dentro de sua pol\u00edtica ou plano de atendimento de sa\u00fade. Para empresas pequenas, que n\u00e3o disp\u00f5em desses recursos, h\u00e1 possibilidades de parceria na localidade, seja na rede p\u00fablica, em organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs) ou grupos de apoio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O uso de droga ou \u00e1lcool pode afetar a performance do funcion\u00e1rio, com consequ\u00eancias em sua seguran\u00e7a ou dos colegas, em especial, quando o consumo instala-se progressivamente. \u201cNo in\u00edcio, a qualidade do trabalho e a produtividade podem estar preservadas. Com o uso frequente e quantidades maiores da subst\u00e2ncia, o desempenho tende a cair\u201d, explica. Em fun\u00e7\u00f5es operacionais e de atividades repetidas, o efeito pode ser identificado mais tardiamente, mas as aus\u00eancias do trabalho podem ser um indicativo a ser avaliado. Nos trabalhos que requerem maior grau de aten\u00e7\u00e3o ou cogni\u00e7\u00e3o, os sinais podem ser identificados mais precocemente. Aqui, no entanto, vale lembrar que outras condi\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas podem mimetizar os mesmos sinais de sintomas. Portanto, \u00e9 necess\u00e1ria uma avalia\u00e7\u00e3o mais cuidadosa de cada caso. O uso de subst\u00e2ncias psicoativas, em geral, n\u00e3o combina com nenhuma atividade de trabalho. Por isso, \u00e9 importante haver preven\u00e7\u00e3o, vigil\u00e2ncia e oportunidade de tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o. Essas medidas incluem a\u00e7\u00f5es educativas sobre os efeitos do uso de subst\u00e2ncias psicoativas, em geral, e seus impactos sobre as atividades de trabalho, al\u00e9m de outras dimens\u00f5es da vida pessoal (familiar, social, financeira, sa\u00fade).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O uso do \u00e1lcool no trabalho ocasiona cerca de 25% dos acidentes do trabalho no mundo. \u201cAvalia\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas peri\u00f3dicas podem contribuir para refor\u00e7ar as medidas preventivas, bem como servir como vigil\u00e2ncia em sa\u00fade do trabalhador, desde que esteja estabelecida uma boa rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e9dico e trabalhadores, a ponto de haver confian\u00e7a para tratar de um tema sens\u00edvel e de forma confidencial\u201d.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o do desempenho e comportamento, por pares ou mesmo pela supervis\u00e3o, podem identificar sinais que devam ser devidamente investigados, preferencialmente por profissional de sa\u00fade ou por gestores de pessoas habilitados. \u00e9 importante haver uma pol\u00edtica clara que permita buscar ajuda por parte dos indiv\u00edduos que tenham problemas com \u00e1lcool e drogas. Isso cria um ambiente colaborativo, em que as pessoas sintam que podem pedir suporte. Ainda, sob a perspectiva de seguran\u00e7a, \u00e9 preciso planejar as atividades de maior risco, estabelecendo-se medidas de prote\u00e7\u00e3o adequadas aos riscos, incluindo condi\u00e7\u00f5es para a execu\u00e7\u00e3o segura de uma tarefa, com supervis\u00e3o adequada e direito de parada em caso de suspeita de que h\u00e1 risco aumentado por conta do uso de \u00e1lcool, drogas ou qualquer outra condi\u00e7\u00e3o semelhante. No Brasil, as empresas lidam de v\u00e1rias formas com o trabalhador que bebe e se droga durante o expediente.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Desde empresas que t\u00eam pol\u00edticas claras sobre o tema, com foco na preven\u00e7\u00e3o e na reabilita\u00e7\u00e3o, at\u00e9 empregadores que optam pela demiss\u00e3o, agravando o problema com a quest\u00e3o do desemprego. Cresce o n\u00famero de empresas que opta pela testagem do uso recente, seja pelos testes de ar expirado (baf\u00f4metro) para o \u00e1lcool, ou pelos exames de urina \u2013 ou outros materiais, como saliva, sangue e cabelo \u2013 para a detec\u00e7\u00e3o do uso de drogas. Nesse grupo de empresas, h\u00e1 ainda as que usam o teste de maneira complementar a uma pol\u00edtica de preven\u00e7\u00e3o, enquanto outras os utilizam de maneira desassociada da preven\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o. Diferentemente de outros pa\u00edses, o Brasil ainda n\u00e3o definiu uma maneira de lidar com o tema, que seja tecnicamente correta, legal e eticamente adequada.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Fonte: Blog Emily Sobral<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em quatro anos, os aux\u00edlios-doen\u00e7a concedidos por transtornos mentais e comportamentais por uso de \u00e1lcool e drogas cresceu 50% no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3144"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3144"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3144\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}