{"id":31047,"date":"2017-08-04T16:06:13","date_gmt":"2017-08-04T19:06:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=31047"},"modified":"2017-08-04T16:06:34","modified_gmt":"2017-08-04T19:06:34","slug":"assedio-moral-quando-o-trabalho-mata-e-adoece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/08\/04\/assedio-moral-quando-o-trabalho-mata-e-adoece\/","title":{"rendered":"Fiocruz: Ass\u00e9dio moral &#8211; quando o trabalho mata e adoece"},"content":{"rendered":"<p>O Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade do Trabalhador do Centro de Estudos da Sa\u00fade do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh\/ENSP) recebeu, na ter\u00e7a-feira, 25 de julho, a professora Terezinha Martins para uma aula aberta sobre <em>&#8220;Os ataques \u00e0 sa\u00fade mental de quem trabalha: o ass\u00e9dio moral&#8221;<\/em>. Doutora em psicologia pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), Terezinha \u00e9 integrante do Departamento de Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).<\/p>\n<p>Ao inciar a aula, a professora lembrou que s\u00e3o constantes os convites para que fale sobre ass\u00e9dio moral.<\/p>\n<p>&#8211; S\u00e3o dois sentimentos que me tomam nesse momento. O primeiro \u00e9 a alegria de se produzir conhecimento junto com os parceiros que me convidam para falar; mas o outro \u00e9 de tristeza, porque esse tema que eu pesquiso \u00e9 horrendo, \u00e9 triste. Se recebo muitos convites, isso significa que aumentou a necessidade de discuss\u00e3o a respeito desse tema, pois, na realidade, aumentou sua ocorr\u00eancia. Se a gente pensar nas reformas trabalhistas, nos governos e seus substitutos, \u00e9 horr\u00edvel imaginar que estamos produzindo teorias sobre uma realidade que est\u00e1, obviamente, piorando.<\/p>\n<p>Em seguida, a professora fez uma breve explana\u00e7\u00e3o acerca da hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e seu papel no desenvolvimento das sociedades humanas.<\/p>\n<p>&#8211; O trabalho, historicamente, \u00e9 esse lugar de transforma\u00e7\u00e3o do animal nesse ser social, humano. A pergunta que se faz \u00e9 como chegamos nesse ponto em que o trabalho mata, adoece, em que se tornou um grande sofrimento, para os que t\u00eam e para os que n\u00e3o t\u00eam.<\/p>\n<p>Segundo Terezinha Martins, o aumento dos casos de ass\u00e9dio e outras doen\u00e7as relativas ao trabalho t\u00eam na chamada reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva do capitalismo sua causa, \u00a0uma vez que, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, vem se intensificando a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&#8211; Os trabalhadores, principalmente aqueles mais vulner\u00e1veis, as mulheres, os negros, mas tamb\u00e9m um homem louro de olhos azuis que acabou de ter um filho, acabam se submetendo a situa\u00e7\u00f5es em que t\u00eam que \u201cdar o couro\u201d para n\u00e3o perder o emprego. O adoecimento chega aos que acabam fazendo um esfor\u00e7o acima de suas capacidades, compreendidas num amplo espectro, do ponto de vista mental, f\u00edsico etc. Esse trabalhador que adoece vira um estorvo para os patr\u00f5es, porque diminui o ritmo da produ\u00e7\u00e3o e acaba servindo de exemplo para os outros, que ficam com medo.<\/p>\n<h3>Uni\u00e3o e hist\u00f3ria para cavar a sa\u00edda<\/h3>\n<p>Falando sempre, como lembrou ao longo de sua aula, tendo o Materialismo Dial\u00e9tico como base te\u00f3rica, Terezinha terminou sua palestra com otimismo ao abordar a busca de sa\u00eddas para a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em que se encontra a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s precisamos olhar para a hist\u00f3ria: meus av\u00f3s estavam amarrados ao p\u00e9 de uma mesa. Muitos dos companheiros que estiveram ao meu lado, lutando contra a ditadura, foram mortos; mas n\u00e3o se escapa \u00e0 hist\u00f3ria. Marx usa uma imagem maravilhosa: a topeira da hist\u00f3ria. Est\u00e1 ali o ch\u00e3o liso, o asfalto e, de repente, ela aparece. \u00c9 cavando nos lugares subterr\u00e2neos, nos morros, com os pretos etc; \u00e9 nos juntando e pensando coletivamente que poderemos achar sa\u00eddas.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Fiocruz)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade do Trabalhador do Centro de Estudos da Sa\u00fade do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh\/ENSP) recebeu, na ter\u00e7a-feira, 25 de julho, a professora Terezinha Martins para uma aula aberta sobre &#8220;Os ataques \u00e0 sa\u00fade mental de quem trabalha: o ass\u00e9dio moral&#8221;. 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