{"id":30846,"date":"2017-07-04T09:24:08","date_gmt":"2017-07-04T12:24:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=30846"},"modified":"2017-07-07T10:02:50","modified_gmt":"2017-07-07T13:02:50","slug":"sindrome-de-burnout-quando-o-trabalho-passa-dos-limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/07\/04\/sindrome-de-burnout-quando-o-trabalho-passa-dos-limites\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome de Burnout: quando o trabalho passa dos limites"},"content":{"rendered":"<p>Crises de choro, resfriado constante, dores de cabe\u00e7a e um problema que incomodava constantemente: o trabalho excessivo. O que parecia um simples estresse di\u00e1rio se tornou um pesadelo chamado s\u00edndrome de Burnout. Dois anos atr\u00e1s, a administradora Hello\u00e1 Regina descobriu que sofria com a doen\u00e7a, mas n\u00e3o imaginava que todos os sintomas estavam relacionados com a carreira. \u201cEu nunca desligava, trabalhava em m\u00e9dia nove horas por dia e depois ia para a faculdade e morava sozinha. Come\u00e7ou a afetar a minha vida pessoal, todos ao meu redor falavam que eu estava estranha, triste e pra baixo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Com poucos estudos relacionados ao tema no Brasil, ainda existem pessoas que desconhecem a s\u00edndrome ou a confundem com depress\u00e3o. Segundo n\u00fameros da International Stress Management Association (Isma) no Brasil, 72% dos brasileiros sofrem alguma sequela devido ao n\u00edvel de estresse, sendo que 32% est\u00e3o em n\u00edvel de burnout.<\/p>\n<p>\u201cO estresse ataca o indiv\u00edduo, o burnout vai al\u00e9m, pode prejudicar as organiza\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Ricardo Monezi, especialista em medicina comportamental da Unifesp. \u201cNuma institui\u00e7\u00e3o que tem muita gente com burnout, a produ\u00e7\u00e3o diminui e os funcion\u00e1rios podem realizar a mesma atividade duas, tr\u00eas vezes no dia. No burnout \u00e9 algo compartilhado, atinge uma grande massa do trabalho\u201d, diz.<\/p>\n<p>Sintomas do burnout<\/p>\n<p>Al\u00e9m do estresse coletivo, a s\u00edndrome atinge v\u00e1rios aspectos cognitivos como a mem\u00f3ria, podendo provocar falta de concentra\u00e7\u00e3o, causando at\u00e9 mesmo acidentes no trabalho. J\u00e1 no \u00e2mbito social, a pessoa come\u00e7a a se isolar, o sentimento de injusti\u00e7a aflora e o indiv\u00edduo acha ningu\u00e9m pode ajud\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico Ricardo Monezi, em casos mais graves, se n\u00e3o tratado, pode-se chegar ao suic\u00eddio. \u201cA pessoa pode ter novas doen\u00e7as, e doen\u00e7as que j\u00e1 existiam ela n\u00e3o enxerga ou s\u00f3 v\u00ea a morte como a \u00fanica via. Na crise de 2008, em Wall Street, foram registrados muitos casos de burnout, mais de 20 suic\u00eddios em uma semana\u201d.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de acabar com a pr\u00f3pria vida foi um dos problemas de Iria de Marco, professora que foi aposentada por causa do burnout. \u201cEu estava muito mal, demorou muito para eu descobrir o que eu tinha, fazia diversos exames e os m\u00e9dicos diziam que era apenas estresse\u201d, conta. \u201cPrecisei ser afastada do meu trabalho e tentei suic\u00eddio quatro vezes, cheguei a me separar do meu marido, porque era uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel\u201d, revela.<\/p>\n<p>Tanto para Hello\u00e1 quanto para Iria, o trabalho consumia muito tempo de suas vidas, faltava reconhecimento e a press\u00e3o era exagerada. Mas como deixar esse ambiente harmonioso e ainda ter uma vida social?<\/p>\n<p>Para Gustavo Sansi, coach licenciado pelo Instituto Brasileiro de Coaching o trabalho n\u00e3o pode ser o principal. \u201cO equil\u00edbrio envolve a sa\u00fade f\u00edsica, mental, espiritual e ecol\u00f3gica. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no trabalho que o indiv\u00edduo consegue realizar os desejos da vida dele, isso \u00e9 s\u00f3 um ponto na vida\u201d.<\/p>\n<p>Como perceber que h\u00e1 algo errado<\/p>\n<p>Terapia e a aceita\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito importantes na hora de diagnosticar o burnout. Mas, quando a doen\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 em n\u00edvel avan\u00e7ado, um profissional de sa\u00fade realiza um teste espec\u00edfico chamado Maslasch Burnout Inventory (MBI), como explica Monezi. Ele \u00e9 um invent\u00e1rio, um question\u00e1rio para verificar se a pessoa est\u00e1 ou n\u00e3o em processo de burnout.<\/p>\n<p>J\u00e1 quando o assunto \u00e9 carreira, o coach Sansi ensina um exerc\u00edcio chamado \u201cRoda da vida\u201d, que pode ajudar quem est\u00e1 infeliz no \u00e2mbito profissional. \u201c \u00c9 uma ferramenta em que a pessoa se encontra dentro de v\u00e1rios questionamentos e come\u00e7a dar nota de 1 a 10 para eles. No aspecto familiar, como voc\u00ea est\u00e1? No quesito trabalho, o qu\u00e3o feliz voc\u00ea \u00e9? Perguntas que s\u00e3o feitas e s\u00e3o cada vez mais aprofundadas, com o objetivo de fazer com que o pr\u00f3prio indiv\u00edduo ache a resposta e tente melhorar aquela situa\u00e7\u00e3o de fardo\u201d, explica.<\/p>\n<p>No caso de Iria, a professora s\u00f3 se deu conta do qu\u00e3o grave era a s\u00edndrome e como estava abalada emocionalmente ap\u00f3s um ano.<\/p>\n<p>Tratamento<\/p>\n<p>Quando o burnout \u00e9 descoberto, na maioria das vezes, a s\u00edndrome \u00e9 tratada com medica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de terapia. Por\u00e9m, m\u00e9todos complementares tamb\u00e9m s\u00e3o importantes. \u201cA pessoa tem que ser acompanhada por um bom m\u00e9dico, um \u00f3timo profissional de psicologia, equipes multiprofissionais\u201d, diz Monezi. \u201cAs pr\u00e1ticas contemplativas, como t\u00e9cnicas da medita\u00e7\u00e3o, yoga, acumputura e mindfulness, ajudam as pessoas com burnout\u201d, diz.<\/p>\n<p>Essa foi uma das estrat\u00e9gias da administradora Hello\u00e1 que, al\u00e9m de ficar afastada por dois meses do trabalho para tratar a s\u00edndorme com medicamentos, tamb\u00e9m come\u00e7ou a praticar atividade f\u00edsica. \u201cEu me afastei do trabalho e comecei a fazer a terapia, busquei at\u00e9 outras alternativas, acupuntura e esporte. Percebi que estava me ajudando, fui aceitando e vi que n\u00e3o era fracasso nenhum\u201d, diz.<\/p>\n<p>P\u00f3s burnout<\/p>\n<p>Quase sete anos depois do primeiro diagn\u00f3stico, a professora Iria ainda n\u00e3o se sente a vontade com a sociedade. Por ser uma s\u00edndrome pouco conhecida, algumas pessoas de seu meio ainda encaram como frescura ou reclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, depois de anos de tratamento, ela est\u00e1 aos poucos, conquistando a confian\u00e7a. \u201cAgora estou controlada, estou super bem, mas ainda sinto receio das pessoas\u201d, explica. Para dividir a ang\u00fastia e ajudar outras v\u00edtimas da s\u00edndrome, a aposentada tamb\u00e9m criou o livro eu, professora e burnout, onde ela conta todo o processo desde a descoberta da doen\u00e7a at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Para a Hello\u00e1, a rotina melhorou completamente. A administradora continua com acompanhamento m\u00e9dico, mas com uma vida bem mais alegre. \u201cHoje estou muito melhor, sou uma outra pessoa, todo mundo a minha volta j\u00e1 percebe essa mudan\u00e7a, fa\u00e7o amigos com facilidade e n\u00e3o me fecho para os outros\u201d. Ela tamb\u00e9m criou uma p\u00e1gina no Facebook para trocar informa\u00e7\u00f5es e ajudar pessoas que sofrem com burnout.<\/p>\n<p><em>Fonte: Revista Isto\u00e9<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crises de choro, resfriado constante, dores de cabe\u00e7a e um problema que incomodava constantemente: o trabalho excessivo. O que parecia um simples estresse di\u00e1rio se tornou um pesadelo chamado s\u00edndrome de Burnout. 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