{"id":30626,"date":"2017-05-29T16:08:23","date_gmt":"2017-05-29T19:08:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=30626"},"modified":"2017-05-29T16:09:27","modified_gmt":"2017-05-29T19:09:27","slug":"em-periodos-de-turbulencia-discriminacao-nas-empresas-ajuda-a-manter-desemprego-recorde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/05\/29\/em-periodos-de-turbulencia-discriminacao-nas-empresas-ajuda-a-manter-desemprego-recorde\/","title":{"rendered":"Na crise, discrimina\u00e7\u00e3o nas empresas ajuda a manter desemprego recorde"},"content":{"rendered":"<p>O desemprego que h\u00e1 dois anos aflige o pa\u00eds, impulsionado pela crise da economia brasileira, sacrifica duplamente as mulheres. Al\u00e9m da escassez de vagas numa economia que enfrenta dificuldades para sair do estado de paralisia, a discrimina\u00e7\u00e3o velada nas empresas complica a situa\u00e7\u00e3o das trabalhadoras em busca de uma oportunidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em Minas Gerais a taxa de desemprego feminino alcan\u00e7ou no primeiro trimestre o \u00edndice recorde de 15,9% da popula\u00e7\u00e3o sem emprego e em busca de trabalho.<\/p>\n<p>Do total de 1,5 milh\u00e3o de desempregados no estado, 777 mil s\u00e3o mulheres, representando 51,8% do total. Na m\u00e9dia, a propor\u00e7\u00e3o de mineiras desocupadas ficou quatro pontos acima da taxa de 11,9% medida para os homens pelo IBGE. A diferen\u00e7a da taxa por g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno novo, mas vem resistindo. O n\u00edvel de desocupa\u00e7\u00e3o das mulheres em Minas de janeiro a mar\u00e7o \u00faltimo tamb\u00e9m superou a m\u00e9dia nacional, de 15,8%.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, a situa\u00e7\u00e3o pior da mulher na disputa por um lugar no mercado de trabalho \u00e9 percebida desde o in\u00edcio das pesquisas trimensais feitas pela institui\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio de 2012. No primeiro levantamento, a taxa para homens desempregados era de 6,2%, enquanto das mulheres atingia 10,3%. Com o passar dos anos, a diferen\u00e7a se reduziu timidamente, mas no \u00faltimo levantamento voltou a crescer.<\/p>\n<p>Para o coordenador de Trabalho e Renda do IBGE, Cimar Azeredo, a diferen\u00e7a entre os g\u00eaneros tem se mantido desde o in\u00edcio, mas a situa\u00e7\u00e3o para as trabalhadoras fica ainda mais complicada durante os per\u00edodos de crise no mercado de trabalho. \u201cAs tradicionais mazelas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher no mercado permanecem. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o cultural do pa\u00eds. A mulher muitas vezes sofre preconceito na disputa por vagas, uma vez que algumas empresas temem que elas possam engravidar, ou at\u00e9 fazer dupla jornada em casa\u201d, explica Azeredo.<\/p>\n<p>Em geral, as mulheres ainda s\u00e3o vistas nas empresas com o temor de que deem mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia do que ao trabalho e apresentem baixa produtividade, em raz\u00e3o da jornada dobrada, no emprego e em casa. H\u00e1 tamb\u00e9m o medo de a gravidez afast\u00e1-las do compromisso com as metas de desempenho na fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cimar Azeredo ressalta que em momentos de crise, em que muitas fam\u00edlias precisam buscar outras fontes de renda, se tornou comum que as mulheres saiam mais em busca de emprego atr\u00e1s de uma renda para a fam\u00edlia. \u201cMuitas s\u00e3o rejeitadas pelas empresas por quest\u00f5es culturais que permanecem. A falta de experi\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 um problema para muitas mulheres que n\u00e3o conseguem oportunidade de emprego\u201d, avalia Azeredo.<\/p>\n<h3>Longa procura<\/h3>\n<p>Prestes a concluir o ensino m\u00e9dio, Ana Carolina da Silva Campos, de 17 anos, procura seu primeiro emprego desde agosto do ano passado para ajudar na renda familiar. Na semana passada, a estudante voltou \u00e0 fila da Unidade de Atendimento Integrado (UAI), o antigo PSIU, na Pra\u00e7a Sete, no Centro de Belo Horizonte, em busca de uma vaga.<\/p>\n<p>\u201cTenho procurado as vagas de auxiliar administrativo, mas j\u00e1 estou aceitando qualquer vaga que eu possa conciliar com os estudos. A ideia \u00e9 ganhar meu pr\u00f3prio dinheiro, porque as coisas est\u00e3o muito dif\u00edceis para todo mundo\u201d, conta Ana Carolina. Ela j\u00e1 participou de algumas entrevistas, mas at\u00e9 agora n\u00e3o foi chamada em nenhum dos processos de sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A dom\u00e9stica Paloma Cristine, de 34, tamb\u00e9m procura uma recoloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho desde o ano passado. \u201cSempre trabalhei informalmente, mas nos \u00faltimos meses os trabalhos diminu\u00edram e passei a procurar um trabalho fixo. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem complicada, porque muitas vezes s\u00e3o v\u00e1rias pessoas atr\u00e1s de uma mesma vaga e as contrata\u00e7\u00f5es n\u00e3o acontecem\u201d, conta Paloma, que conseguiu marcar duas entrevistas para esta semana.<\/p>\n<h3>Trabalhadoras recebem 72% dos sal\u00e1rio dos homens<\/h3>\n<p>O levantamento do IBGE mostra ainda que a diferen\u00e7a entre os g\u00eaneros se mant\u00e9m entre as mulheres e homens empregados, uma vez que em m\u00e9dia, as trabalhadoras recebem 72% do sal\u00e1rio dos homens. \u201cA diferen\u00e7a salarial tamb\u00e9m se mant\u00e9m. O que demonstra a import\u00e2ncia de pol\u00edticas para proteger as mulheres no mercado de trabalho\u201d, diz o coordenador do IBGE.<\/p>\n<p>De acordo com Cimar Azeredo, no \u00faltimo levantamento do instituto a taxa de desempregados foi recorde tanto para mulheres quanto para homens, e que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer uma estimativa sobre quando o desemprego vai cair no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A renda m\u00e9dia habitual real, ou seja, descontada a infla\u00e7\u00e3o, foi estimada pelo instituto em R$ 1.798 no estado durante o primeiro trimestre do ano. A cifra se refere a todos os trabalhos desempenhados pelas pessoas ocupadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve varia\u00e7\u00e3o estat\u00edstica relevante do rendimento apurado pelo IBGE na compara\u00e7\u00e3o com o trimestre anterior e o mesmo per\u00edodo de 2016. No Brasil, o rendimento m\u00e9dio do trabalho ficou est\u00e1vel em R$ 2.110. A massa de rendimentos reais habitualmente recebidos em Minas, que consiste na soma dos vencimentos de todos os trabalhos das pessoas ocupadas no estado, alcan\u00e7ou R$ 16,7 bilh\u00f5es no 1\u00ba trimestre, apresentando queda de 3,7% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior.<\/p>\n<p>Quando o desemprego \u00e9 analisado por segmento da atividade econ\u00f4mica em que os desocupados trabalharam, houve queda de 10% do n\u00edvel da ocupa\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o mineira no primeiro trimestre, ante o quarto trimestre de 2016. Caiu, da mesma forma, o n\u00edvel do emprego, em 8%, no grupo formado pelos trabalhos na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, defesa, seguridade social, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade humana e servi\u00e7os sociais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desemprego que h\u00e1 dois anos aflige o pa\u00eds, impulsionado pela crise da economia brasileira, sacrifica duplamente as mulheres. Al\u00e9m da escassez de vagas numa economia que enfrenta dificuldades para sair do estado de paralisia, a discrimina\u00e7\u00e3o velada nas empresas complica a situa\u00e7\u00e3o das trabalhadoras em busca de uma oportunidade. Segundo o Instituto Brasileiro de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30627,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30626"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30626"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30626\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30627"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}