{"id":30088,"date":"2017-04-06T10:21:47","date_gmt":"2017-04-06T13:21:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=30088"},"modified":"2017-04-06T10:21:47","modified_gmt":"2017-04-06T13:21:47","slug":"depressao-e-debatida-por-especialistas-em-evento-na-opasoms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2017\/04\/06\/depressao-e-debatida-por-especialistas-em-evento-na-opasoms\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o \u00e9 debatida por especialistas em evento na OPAS\/OMS"},"content":{"rendered":"<p>No marco do Dia Mundial da Sa\u00fade, celebrado em 7 de abril, a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade\/Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OPAS\/OMS) no Brasil promoveu nesta segunda-feira (3) um amplo debate entre especialistas e convidados sobre depress\u00e3o. Neste ano, o lema da campanha mundial \u00e9 \u201cDepress\u00e3o: vamos conversar\u201d.<\/p>\n<p>Em participa\u00e7\u00e3o por v\u00eddeo, a diretora da OPAS\/OMS, Carissa F. Etienne, lembrou que a depress\u00e3o n\u00e3o discrimina e pode afetar pessoas de todas as idades, ra\u00e7as e origens. \u201cA depress\u00e3o afeta n\u00e3o s\u00f3 voc\u00ea, mas os que est\u00e3o \u00e0 sua volta: sua fam\u00edlia, seus amigos e colegas. Afeta comunidades e sociedades e tem um alto custo social e econ\u00f4mico. Devido ao estigma associado \u00e0 depress\u00e3o, poucos querem falar sobre ela.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo ainda sendo considerada um tabu na sociedade, justamente pelo estigma que a acompanha, at\u00e9 a depress\u00e3o mais grave pode ser superada com tratamento apropriado, lembrou Etienne. \u201cO primeiro passo para receber tratamento \u00e9 falar. Se voc\u00ea conhece algu\u00e9m com depress\u00e3o, escute o que ela tem a dizer. Se voc\u00ea sofre de depress\u00e3o, d\u00ea o primeiro passo hoje. Fale com algu\u00e9m.\u201d Para a diretora da OPAS\/OMS, \u00e9 tempo de romper o sil\u00eancio e acabar com os preconceitos que cercam esse transtorno mental. \u201cToda pessoa com depress\u00e3o merece apoio, respeito e bons cuidados\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>M\u00f3nica Padilla, Representante substituta da OPAS\/OMS no Brasil, afirmou que a falta de apoio \u00e0s pessoas que vivem com transtornos mentais, somado ao medo e ao estigma, impede muitas pessoas de terem o tratamento que necessitam para uma vida saud\u00e1vel e produtiva. \u201c\u00c9 preciso gerar condi\u00e7\u00f5es para que se possa falar de depress\u00e3o nos diversos ambientes da vida, no trabalho, na fam\u00edlia, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s caracter\u00edsticas diferentes para os idosos, para os jovens, homens e mulheres. Enfim, precisamos falar da depress\u00e3o para dar voz \u00e0s pessoas que enfrentam esse problema\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel mundial, estima-se que mais de 300 milh\u00f5es de pessoas vivem com depress\u00e3o. Nas Am\u00e9ricas, o n\u00famero de pessoas afetadas \u00e9 de cerca de 50 milh\u00f5es. \u201cTemos que ser mais acolhedores com pessoas com sintomas de depress\u00e3o\u201d, atentou Roberto Del \u00c1guila, coordenador da Unidade T\u00e9cnica de Determinantes Sociais e Riscos para a Sa\u00fade, Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas N\u00e3o-Transmiss\u00edveis e Sa\u00fade Mental da OPAS\/OMS.<\/p>\n<p>Segundo \u00c1guilla, embora muitas pessoas com mais de 60 anos sofram de depress\u00e3o, o transtorno mental pode ter in\u00edcio ainda na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. \u201cO problema com a depress\u00e3o durante a adolesc\u00eancia \u00e9 que muitas vezes ela desencadeia o consumo de \u00e1lcool e outras drogas, e tamb\u00e9m a viol\u00eancia. N\u00e3o temos que buscar entender o alcoolismo e adic\u00e7\u00e3o, mas compreender a depress\u00e3o, que leva ao uso dessas subst\u00e2ncias.\u201d<\/p>\n<p>Thereza de Lamare, diretora do Departamento de A\u00e7\u00f5es Program\u00e1ticas Estrat\u00e9gicas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, apresentou um panorama da depress\u00e3o no Brasil. \u201cA Pesquisa Nacional de Sa\u00fade, publicada em 2013, traz alguns aspectos importantes sobre as doen\u00e7as n\u00e3o-transmiss\u00edveis. A depress\u00e3o \u00e9 uma delas. S\u00e3o 11 milh\u00f5es de brasileiros com esse transtorno, o que nos chamou muito a aten\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Cinthia Lociks, coordenadora geral de Sa\u00fade Mental, \u00c1lcool e Outras Drogas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, observou que as mulheres s\u00e3o as mais afetadas e que essa preval\u00eancia pode ser explicada pela falta de diagn\u00f3stico na popula\u00e7\u00e3o masculina. \u201cOs homens t\u00eam uma resist\u00eancia maior a buscar servi\u00e7os de sa\u00fade. Talvez isso possa explicar a diferen\u00e7a de incid\u00eancia da depress\u00e3o entre mulheres e homens\u201d, alegou.<\/p>\n<h3>Depress\u00e3o e grupos espec\u00edficos<\/h3>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a depress\u00e3o e o uso de \u00e1lcool e outras drogas foi o tema da apresenta\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1via Fernando, psiquiatra e doutoranda em psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). \u201cRejeitamos aquele que abusa do \u00e1lcool, rejeitamos ainda mais os usu\u00e1rios de drogas il\u00edcitas. Existe a produ\u00e7\u00e3o do estigma, que \u00e9 uma marca que atravessa nosso modo de ver e de diminuir o outro\u201d, afirmou. Para a m\u00e9dica, \u00e9 preciso enxergar a verdadeira dimens\u00e3o do sofrimento daqueles que usam ou abusam de drogas l\u00edcitas e il\u00edcitas e entender \u201cao que a droga serve, qual a fun\u00e7\u00e3o, nessa singularidade, que a droga ocupa\u201d.<\/p>\n<p>Jaqueline de Jesus, professora e pesquisadora do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), abordou a rela\u00e7\u00e3o entre depress\u00e3o e ra\u00e7a\/cor. \u201cSer negra ou negro no Brasil, em fun\u00e7\u00e3o do racismo, significa ter problemas de sa\u00fade mental constantes\u201d, assinalou. A depress\u00e3o, segundo a docente, \u00e9 um dos principais efeitos patog\u00eanicos do racismo para a popula\u00e7\u00e3o negra do pa\u00eds, juntamente com dist\u00farbios cardiovasculares, imunodefici\u00eancias, diabetes e outras enfermidades. Para Jaqueline, essa realidade mudar\u00e1 apenas quando a\u00e7\u00f5es afirmativas eficazes forem elaboradas para combater o racismo e promover a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o negra de forma equitativa.<\/p>\n<p>Lyah C\u00f4rrea, psic\u00f3loga e ativista, falou sobre sa\u00fade mental em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o transexual. \u201cAs depress\u00f5es podem refletir os impactos e din\u00e2micas sobre o estigma social que as identidades trans causam. Falar sobre isso \u00e9 visibilizar um grupo populacional que hist\u00f3rica e culturalmente n\u00e3o existia. Ou existia, mas na ordem patol\u00f3gica, da marginalidade, da criminalidade. Infelizmente, \u00e9 assim que as trangeneridades s\u00e3o debatidas\u201d, revelou. Ela tamb\u00e9m refor\u00e7ou que o suic\u00eddio entre pessoas trans muitas vezes \u00e9 uma forma de cessar o sofrimento do processo de nega\u00e7\u00e3o existencial do ponto de vista do outro. \u201cReivindicamos a despatologiza\u00e7\u00e3o das identidades trans, queremos deixar de ser vistas e vistos como doentes\u201d.<\/p>\n<p>A preval\u00eancia da depress\u00e3o em comunidades ind\u00edgenas tamb\u00e9m foi levantada no debate por Oraide Siqueira, psic\u00f3loga do Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena (DSEI) de Manaus. Na \u00e1rea em que a profissional atende, o transtorno mental atinge pessoas com idade entre 20 e 71 anos, sendo as mulheres as mais acometidas. \u201cO que vai ser da comunidade?\u201d e \u201cO que vai ser do futuro do ind\u00edgena?\u201d est\u00e3o entre as principais queixas ouvidas por Oraide. \u201cMuitas comunidades j\u00e1 n\u00e3o conseguem mais passar seus valores culturais. H\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o do \u00e1lcool e outras drogas. Quanto mais pr\u00f3ximos das cidades, mais problemas os ind\u00edgenas acabam tendo\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><em>(Fonte: OPAS\/OMS)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No marco do Dia Mundial da Sa\u00fade, celebrado em 7 de abril, a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade\/Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OPAS\/OMS) no Brasil promoveu nesta segunda-feira (3) um amplo debate entre especialistas e convidados sobre depress\u00e3o. Neste ano, o lema da campanha mundial \u00e9 \u201cDepress\u00e3o: vamos conversar\u201d. 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