{"id":2988,"date":"2015-03-02T10:26:22","date_gmt":"2015-03-02T13:26:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2015\/03\/02\/licoes-da-crise-hidrica\/"},"modified":"2015-03-02T10:26:22","modified_gmt":"2015-03-02T13:26:22","slug":"licoes-da-crise-hidrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2015\/03\/02\/licoes-da-crise-hidrica\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es da crise h\u00eddrica"},"content":{"rendered":"<p>Li\u00e7\u00f5es da crise h\u00eddrica<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Contra a neglig\u00eancia e a incompet\u00eancia, consci\u00eancia, participa\u00e7\u00e3o e criatividade<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O polivalente S\u00e3o Pedro, suposto abridor das portas do c\u00e9u para os humanos que l\u00e1 pretendem entrar, e tido como o grande gestor das comportas de \u00e1guas que se derramam sobre a terra, na forma de chuvas &#8211; entre outros afazeres menos complexos \u2013 j\u00e1 deixou claro que a crise h\u00eddrica, em grande parte do Brasil, n\u00e3o \u00e9 de sua responsabilidade. Tampouco aceitaram ser responsabilizados tanto \u2018El Ni\u00f1o\u2019 como \u2018La Ni\u00f1a\u2019, fen\u00f4menos clim\u00e1ticos originados no Pac\u00edfico, cujos desastrosos efeitos v\u00e3o se alternando, periodicamente, segundo o g\u00eanero da crian\u00e7a&#8230; Os tr\u00eas reconhecem \u2013 ao lado de muitos outros &#8211; que a quest\u00e3o \u00e9 essencialmente humana e muito antiga. A imprevis\u00e3o, a falta de planejamento, o uso e abuso irrespons\u00e1vel dos recursos da natureza, a incompet\u00eancia, a in\u00e9rcia, a neglig\u00eancia, a gan\u00e2ncia; enfim, uma combina\u00e7\u00e3o desastrosa de determinantes explica a atual grave crise h\u00eddrica. Do livro \u201cAs Li\u00e7\u00f5es da Crise H\u00eddrica\u201d, recentemente lan\u00e7ado em Campinas, da autoria do Engo. Agr\u00f4nomo Nelson Luiz Neves Barbosa, empresto o t\u00edtulo desta coluna, e algumas de suas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Felizmente, por mais triste que seja a seca, e penosa que seja a sensa\u00e7\u00e3o de consumir \u00e1gua \u2013 quase lodo \u2013 de \u201cvolumes mortos\u201d, h\u00e1 que se registrar e aprender com as li\u00e7\u00f5es dos \u201cvolumes vivos\u201d que \u2013 gra\u00e7as a Deus &#8211; habitam a terra, e que se recusam a parar de verdejar e crescer em suas ideias, e iniciativas, a\u00e7\u00f5es, respostas e inven\u00e7\u00f5es, comuns \u00e0s graves crises da humanidade, que a nossa crise h\u00eddrica tamb\u00e9m vem mostrando. E \u00e9 nesta leitura da amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia, da participa\u00e7\u00e3o e da criatividade das pessoas e da sociedade que eu identifico o fato portador de futuro \u2013 escolhido para este m\u00eas \u2013 lembrando o significado deste conceito, enunciado por Michel Godet, nos seguintes termos: \u201csinais \u00ednfimos, por sua dimens\u00e3o presente, existentes no ambiente, mas imensos por suas consequ\u00eancias e potencialidades\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na mesma linha, por\u00e9m de forma mais radical \u2013 quase assustadora \u2013 situa-se a posi\u00e7\u00e3o do jornalista e doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Leonardo Sakamoto, quando afirma que vai ser did\u00e1tico ficar sem \u00e1gua. \u201cEu realmente acredito que a escassez prolongada ter\u00e1 um efeito transformador na forma atrav\u00e9s da qual percebemos as consequ\u00eancias de nossos atos\u201d. \u201cAcho bom que falte \u00e1gua. Que as torneiras sequem. Que as pessoas parem de lavar seus carros tr\u00eas vezes por semana. Que a mangueira seja aposentada como vassoura. Que os banhos fiquem curtos. Que as empresas deixem de desperdi\u00e7ar. Que o pre\u00e7o da \u00e1gua suba \u2013 porque s\u00f3 se d\u00e1 valor para coisa cara por aqui. Que se entenda o real valor da \u00e1gua\u201d &#8211; prossegue Sakamoto -\u201ca S\u00e3o Paulo que se reerguer dessa cat\u00e1strofe ser\u00e1 mais consciente\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Sob uma \u00f3ptica menos radical ou ir\u00f4nica, vejo como poss\u00edveis efeitos positivos dessa crise h\u00eddrica a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade, envolvendo distintos estratos sociais, crian\u00e7as, jovens, adultos, e velhos, discutindo e desenvolvendo iniciativas solid\u00e1rias, inteligentes e criativas que expressam a amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia sobre a import\u00e2ncia vital do bin\u00f4mio \u2013 \u00e1gua e energia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assistimos esperan\u00e7osos o surgimento, o engajamento e o florescimento da cultura da sustentabilidade ambiental, social e econ\u00f4mica, a partir da associa\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o da \u00e1gua com a quest\u00e3o da energia. A realidade exige al\u00e9m de mudan\u00e7as de atitude, na esfera individual e coletiva, investimentos tecnol\u00f3gicos ousados, como bem destaca recente n\u00famero especial da revista Scientific American \u2013 Brasil, inteiramente dedicado \u00e0 quest\u00e3o da crise h\u00eddrica no Brasil. Ali\u00e1s, a colet\u00e2nea de textos inclui, tamb\u00e9m, um alentado documento elaborado por uma equipe de 16 cientistas brasileiros de diferentes \u00e1reas do conhecimento, especializados em recursos h\u00eddricos, reunidos no final de novembro passado, em S\u00e3o Paulo, pela Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) e Academia de Ci\u00eancias do Estado de S\u00e3o Paulo (Aciesp).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim, \u00e9 nessa correnteza de reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es a partir da crise h\u00eddrica que proponho a reflex\u00e3o-a\u00e7\u00e3o sobre a atual crise no \u201cmundo do trabalho\u201d que amea\u00e7a os trabalhadores e as trabalhadoras em nosso pa\u00eds. Entre as amea\u00e7as destaco a perda de direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios, conquistados na luta por gera\u00e7\u00f5es ao longo de quase cem anos, como as que envolvem a prote\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade e Seguran\u00e7a no Trabalho. Tamb\u00e9m esta crise deve ser enfrentada pela conscientiza\u00e7\u00e3o, pela mobiliza\u00e7\u00e3o e pela participa\u00e7\u00e3o, com criatividade e responsabilidade. N\u00e3o s\u00e3o tarefas para S\u00e3o Pedro, mas para cada um de n\u00f3s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo para a Revista Prote\u00e7\u00e3o, o diretor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da ANAMT, Prof. Ren\u00e9 Mendes, aborda as poss\u00edveis consequ\u00eancia da crise h\u00eddrica para a sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2988"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2988"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2988\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}