{"id":2487,"date":"2014-05-26T08:57:56","date_gmt":"2014-05-26T11:57:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2014\/05\/26\/condenada-a-pagar-r-1-bi-por-contaminacao-em-cosmopolis-eli-lilly-tem-outra-unidade-sob-investigacao\/"},"modified":"2014-05-26T08:57:56","modified_gmt":"2014-05-26T11:57:56","slug":"condenada-a-pagar-r-1-bi-por-contaminacao-em-cosmopolis-eli-lilly-tem-outra-unidade-sob-investigacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2014\/05\/26\/condenada-a-pagar-r-1-bi-por-contaminacao-em-cosmopolis-eli-lilly-tem-outra-unidade-sob-investigacao\/","title":{"rendered":"Condenada a pagar R$ 1 bi por contamina\u00e7\u00e3o em Cosm\u00f3polis, Eli Lilly tem outra unidade sob investiga\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Data: 25 de maio<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A condena\u00e7\u00e3o da farmac\u00eautica Eli Lilly a pagar R$ 1 bilh\u00e3o em indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais deve ser apenas o come\u00e7o de uma longa briga judicial. Outros 700 ex-funcion\u00e1rios e fornecedores tamb\u00e9m foram expostos a subst\u00e2ncias t\u00f3xicas na antiga f\u00e1brica da empresa, em Cosm\u00f3polis, no interior de S\u00e3o Paulo. Com a divulga\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a em primeira inst\u00e2ncia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) de Campinas espera que outros ex-trabalhadores entrem com a\u00e7\u00f5es individuais pedindo indeniza\u00e7\u00e3o. Na capital, o MPT j\u00e1 abriu inqu\u00e9rito para investigar o risco de contamina\u00e7\u00e3o de trabalhadores em outra unidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Foi uma vit\u00f3ria importante e representa um novo par\u00e2metro para outras empresas que exp\u00f5em seus trabalhadores a riscos de contamina\u00e7\u00e3o \u2014 disse o procurador do Trabalho Guilherme Duarte da Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o na f\u00e1brica de medicamentos, que funcionou em Cosm\u00f3polis entre 1977 e 2003, atingiu profissionais como Elias Soares, de 48 anos \u2014 nove deles naquela unidade da Eli Lilly \u2014, que foi diagnosticado, em 2005, com c\u00e2ncer renal, adquirido no per\u00edodo em que trabalhou na \u00e1rea administrativa da companhia. Soares foi o primeiro a provar na Justi\u00e7a que a doen\u00e7a foi causada pela inala\u00e7\u00e3o de gases t\u00f3xicos no ambiente de trabalho. Sua a\u00e7\u00e3o, junto com a da Shell, serviu de base para o MPT entrar com a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica por danos morais e coletivos pela contamina\u00e7\u00e3o dos ex-empregados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A exemplo da Shell, que tamb\u00e9m foi condenada e acabou fazendo um acordo para o pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es por contamina\u00e7\u00e3o de ex-funcion\u00e1rios em sua f\u00e1brica de Paul\u00ednia, vizinha a Cosm\u00f3polis, na Eli Lilly o alerta foi dado por um funcion\u00e1rio que, ap\u00f3s ser demitido, foi diagnosticado com c\u00e2ncer, provocado pela inala\u00e7\u00e3o de gases t\u00f3xicos na unidade da empresa.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Chumbo, ars\u00eanico, merc\u00fario e tit\u00e2nio<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Al\u00e9m de Soares, ao menos outros 70 ex-funcion\u00e1rios entraram na Justi\u00e7a contra o laborat\u00f3rio. Todos foram submetidos a exames de sangue e apresentam alto grau de contamina\u00e7\u00e3o. Segundo o toxicologista Igor Vassilieff, que tamb\u00e9m atuou no caso dos trabalhadores da Shell, os exames comprovam a presen\u00e7a de metais pesados, como chumbo, ars\u00eanico, alum\u00ednio, merc\u00fario e tit\u00e2nio, na corrente sangu\u00ednea dos ex-funcion\u00e1rios. Estas subst\u00e2ncias, diz o m\u00e9dico, se acumulam no f\u00edgado e, al\u00e9m de c\u00e2ncer, causam dores nas articula\u00e7\u00f5es, ansiedade, perda de mem\u00f3ria e dist\u00farbios comportamentais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Paulo Onofre de Souza, de 54 anos, trabalhou por 14 anos como operador de produ\u00e7\u00e3o na unidade. Ele sofre com altera\u00e7\u00f5es no f\u00edgado provocadas pela exposi\u00e7\u00e3o aos produtos t\u00f3xicos e tenta se adaptar a uma nova atividade profissional, como motorista. Segundo ele, antes de vender a f\u00e1brica para a Antibi\u00f3ticos do Brasil (ABL), em 2002, a Eli Lilly demitiu um grupo de 80 trabalhadores das unidades de Cosm\u00f3polis e de S\u00e3o Paulo (no Morumbi) que j\u00e1 apresentavam sinais de contamina\u00e7\u00e3o. A ABL foi condenada na mesma a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Eles aproveitaram o pacote para demitir pessoas que j\u00e1 estavam doentes, como eu, que sentia dores de cabe\u00e7a e enjoos constantes \u2014 lembra ele, salientando que os equipamentos de prote\u00e7\u00e3o usados pelos trabalhadores na produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o eram suficientes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s ser demitido, os sintomas se agravaram e um exame constatou altera\u00e7\u00f5es em seu organismo provocadas pela presen\u00e7a de metais pesados. Na \u00e9poca, conta Souza, a empresa chamou um grupo de dez pessoas que j\u00e1 estavam doentes, inclusive ele, e ofereceu indeniza\u00e7\u00e3o financeira desde que assinassem termo de compromisso no qual isentariam a f\u00e1brica de qualquer responsabilidade. Souza recebeu cerca de R$ 180 mil, valor insuficiente para custear o tratamento, segundo ele, e que acabou lhe prejudicando na a\u00e7\u00e3o individual contra a Eli Lilly.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Entrei na Justi\u00e7a para ter plano de sa\u00fade, mas at\u00e9 hoje quem banca o meu tratamento \u00e9 o da minha mulher.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A Eli Lilly, por meio de nota, disse que recorrer\u00e1 da decis\u00e3o e negou que haja ind\u00edcios de metais pesados na \u00e1rea da planta de Cosm\u00f3polis. Afirmou ainda que sempre fez monitoramento do local e que \u201ch\u00e1 laudos de especialistas atestando n\u00e3o haver nenhuma base cient\u00edfica que comprove que as subst\u00e2ncias encontradas causem as doen\u00e7as alegadas\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Empresa nega riscos<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O caso de Souza tem ainda um agravante: uma das tr\u00eas filhas que nasceram durante o per\u00edodo em que ele trabalhava na f\u00e1brica est\u00e1 com a sa\u00fade fragilizada e sofre com problemas hep\u00e1ticos e dores de cabe\u00e7a constantes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Minha filha est\u00e1 doente e com sintomas muito parecidos com os meus, e tem muitos ex-colegas da f\u00e1brica que est\u00e3o doentes e passando por dificuldades financeiras. Infelizmente, fomos abandonados pela empresa.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Com metais pesados no organismo, Edson Luiz Stefano \u00e9 outro que vem sofrendo com ins\u00f4nia, perda de mem\u00f3ria e dores abdominais. Segundo ele, apesar dos exames peri\u00f3dicos, os empregados n\u00e3o eram informados sobre os resultados nem sobre os riscos que corriam. Stefano conta que a empresa enterrava os res\u00edduos t\u00f3xicos nos fundos da f\u00e1brica. Depois, investiu em um incinerador que era usado por outras empresas, como a Shell, para queimar lixo t\u00f3xico.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em laudo assinado pelos peritos Georges Kaskantzis Neto, da Universidade Federal do Paran\u00e1, e Edson Tomaz, da Universidade de Campinas, consta que toda a \u00e1rea da f\u00e1brica da Eli Lilly de Cosm\u00f3polis \u201c\u00e9 uma fonte viva de contamina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O caso de Cosm\u00f3polis tamb\u00e9m teve repercuss\u00f5es na capital paulista, onde a Eli Lilly tem outra unidade na Avenida Morumbi, no Brooklin, na Zona Sul. Com base nas den\u00fancias da a\u00e7\u00e3o do MPT de Campinas, o MPT de S\u00e3o Paulo abriu inqu\u00e9rito para investigar a possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o de trabalhadores na f\u00e1brica paulistana.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os procuradores j\u00e1 pediram aos \u00f3rg\u00e3os de controle do meio ambiente de S\u00e3o Paulo e ao Centro de Refer\u00eancia em Sa\u00fade do Trabalhador que produzam laudos sobre as condi\u00e7\u00f5es ambientais no local e verifiquem se h\u00e1 registros de funcion\u00e1rios afastados por suspeita de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Fonte: O Globo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Funcion\u00e1rios da f\u00e1brica de medicamentos desenvolveram c\u00e2ncer por contato com gases t\u00f3xicos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2487"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2487"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2487\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2487"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2487"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2487"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}