{"id":236,"date":"2009-11-22T18:49:37","date_gmt":"2009-11-22T20:49:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2009\/11\/22\/a-promocao-da-inclusao-social-em-saude-do-trabalhador\/"},"modified":"2009-11-22T18:49:37","modified_gmt":"2009-11-22T20:49:37","slug":"a-promocao-da-inclusao-social-em-saude-do-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2009\/11\/22\/a-promocao-da-inclusao-social-em-saude-do-trabalhador\/","title":{"rendered":"A promo\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o social em sa\u00fade do trabalhador"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:\"Cambria Math\"; \tpanose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; \tmso-font-charset:1; \tmso-generic-font-family:roman; \tmso-font-format:other; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-unhide:no; \tmso-style-qformat:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmargin:0cm; \tmargin-bottom:.0001pt; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:12.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\",\"serif\"; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} .MsoChpDefault \t{mso-style-type:export-only; \tmso-default-props:yes; \tfont-size:10.0pt; \tmso-ansi-font-size:10.0pt; \tmso-bidi-font-size:10.0pt;} @page Section1 \t{size:612.0pt 792.0pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:36.0pt; \tmso-footer-margin:36.0pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} --><\/div>\n<p><em>Na tarde da ter\u00e7a-feira 6 de outubro, a um dia do encerramento do IX F\u00f3rum Presen\u00e7a Anamt e do IX Congresso Ibero-Americano de Medicina do Trabalho, os doutores Ren\u00e9 Mendes, Elizabeth Dias e Marco Ant\u00f4nio R\u00eago se reuniram na cafeteria do Bahia Othon para falar ao Jornal da Anamt sobre o envolvimento da Medicina do Trabalho com as quest\u00f5es sociais \u2014 t\u00f3pico que ser\u00e1 tema central do 14\u00ba Congresso Anamt em maio de 2010. Convidados para o congresso de Salvador para tratar de assuntos como a SST e a exclus\u00e3o social, a gest\u00e3o sustent\u00e1vel da sa\u00fade do trabalhador em um mundo globalizado e as incertezas frente \u00e0s descobertas em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer ocupacional, os especialistas debateram como o m\u00e9dico do trabalho pode fazer a diferen\u00e7a em um mundo em que a desigualdade social e a disparidade socioecon\u00f4mica n\u00e3o apontam para a perspectiva de deixar de ser regra.<\/em><\/p>\n<p><strong>Os t\u00f3picos que voc\u00eas abordaram no IX F\u00f3rum Presen\u00e7a Anamt a todo momento se cruzaram. Como muitas mesas mencionaram, n\u00e3o se deve descontextualizar a realidade do trabalhador e sua sa\u00fade quando o objetivo \u00e9 garantir a todos seus direitos mais b\u00e1sicos, seja na \u00e1rea ocupacional ou n\u00e3o. De que forma devemos fazer essa leitura mais ampla da realidade?<\/p>\n<p>Dr. Ren\u00e9 Mendes \u2014<\/strong> Acho que o eixo central desta conversa deve ser a quest\u00e3o da inclus\u00e3o, mesmo que a globaliza\u00e7\u00e3o seja claramente o problema \u2014 quero dizer, seu lado perverso, que impacta a vida das organiza\u00e7\u00f5es, comunidades e trabalhadores, e n\u00e3o seu lado positivo mais \u00f3bvio. Em geral, esse lado negativo \u00e9 lido simplesmente como o \u201cpre\u00e7o da globaliza\u00e7\u00e3o\u201d: uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o sofre enormemente com seus custos. Portanto, nossa vis\u00e3o sobre a sa\u00fade dos trabalhadores \u2014 que hoje estamos terceirizados, quarteirizados, trabalhando demais \u2014 n\u00e3o resultar\u00e1 em boa Medicina do Trabalho se n\u00e3o levarmos em considera\u00e7\u00e3o este referencial macro: os mercados globalizados t\u00eam tornado o trabalho prec\u00e1rio, desprestigiado e, mesmo que eventualmente, marginal ao processo.<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica, entretanto, como pode o m\u00e9dico do trabalho levar a seu cotidiano essa percep\u00e7\u00e3o mais ampla da realidade?<\/p>\n<p>Dra. Elizabeth Dias \u2014<\/strong> Acredito que \u00e9 importante para o profissional fazer certas escolhas e se posicionar. E complementando um pouco o que o Dr. Ren\u00e9 disse, sobre a necessidade de se entender o todo, diria que n\u00f3s devemos trabalhar tamb\u00e9m para perder uma certa ingenuidade. O que seria isso? Na minha opini\u00e3o, trata-se de uma certa naturaliza\u00e7\u00e3o dos conflitos. A exclus\u00e3o \u00e9 socialmente constru\u00edda. As gera\u00e7\u00f5es mais novas, talvez influenciadas pela vis\u00e3o desenvolvimentista p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial, ainda depositam muita esperan\u00e7a no crescimento econ\u00f4mico: como se, por si s\u00f3, ele seja capaz de libertar da escassez, da pobreza, da opress\u00e3o. E, hoje, j\u00e1 vivemos uma outra etapa da exclus\u00e3o, em que a produ\u00e7\u00e3o em massa foi substitu\u00edda por uma proposta de consumo customizado, mais fragmentado, setorizado, sofisticado&#8230; Isso refletiu nos empregos, e hoje temos uma realidade em que n\u00e3o h\u00e1 trabalho para todo mundo e o trabalho dispon\u00edvel \u00e9 cada vez mais prec\u00e1rio e vol\u00e1til.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos do trabalho est\u00e3o no meio desse conflito. Costumo dizer que nossa caneta \u00e9 poderosa, porque ela pode, por exemplo, excluir um indiv\u00edduo em um exame admissional. Isso \u00e9 algo que acontece ali, no consult\u00f3rio, e \u00e9 exatamente nesse momento de rela\u00e7\u00e3o \u00edntima entre m\u00e9dico e trabalhador que se constr\u00f3i a exclus\u00e3o. \u00e9 desconfort\u00e1vel saber que minha postura \u00e9 respons\u00e1vel pelo que acontece com o outro, mas ela acontece, esteja eu consciente dela ou n\u00e3o. Por outro lado, n\u00e3o \u00e9 correto colocar tanto poder e responsabilidade sobre o m\u00e9dico apenas, se a quest\u00e3o tem determinantes potentes na macroeconomia. \u00e9 uma realidade complexa que precisamos conhecer para nos posicionarmos diante dela.<\/p>\n<p><strong>A inclus\u00e3o ou exclus\u00e3o em exames, todavia, n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de norma?<\/p>\n<p>Dra. Ren\u00e9 Mendes \u2014 <\/strong>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o-chave, porque temos visto exatamente esse excesso de apego \u00e0 norma, \u00e0 burocracia, sua utiliza\u00e7\u00e3o como uma esp\u00e9cie de escudo que leva \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o \u2014 como bem colocou a Dra. Elizabeth. Ao mesmo tempo, no entanto, percebe-se que existe uma dist\u00e2ncia entre os crit\u00e9rios que o m\u00e9dico usa na admiss\u00e3o e na demiss\u00e3o, o que \u00e9 muito perverso. Acredito que, quanto pior \u00e9 o m\u00e9dico, mais insens\u00edvel e menos comprometido ele \u00e9 com a sa\u00fade do trabalhador; mais ele aplica um rigor descabido, at\u00e9 do ponto de vista t\u00e9cnico, com o intuito de impedir admiss\u00f5es \u2014 rigor esse que \u00e9 diferente nos processos demissionais, j\u00e1 que a frouxid\u00e3o ou seu desinteresse em detectar alguma patologia s\u00e3o diametralmente opostas a sua pr\u00e1tica na admiss\u00e3o. Isto \u00e9 uma caricatura cruel de realidades que todos n\u00f3s vivemos, tanto no exerc\u00edcio da Medicina do Trabalho quanto da Per\u00edcia Previdenci\u00e1ria. Como foi dito antes: o m\u00e9dico do trabalho tem nesse momento um poder enorme, de que ele costuma gostar. Mas seu papel n\u00e3o deve ser o de admitir ou demitir: cabe a ele opinar tecnicamente sobre a aptid\u00e3o ou a inaptid\u00e3o, considerando que o foco correto da Medicina do Trabalho \u00e9 o de buscar ao m\u00e1ximo a adapta\u00e7\u00e3o do trabalho aos trabalhadores e o aproveitamento das capacidades e habilidades das pessoas candidatas a emprego. Esta \u00e9 uma das oportunidades mais importantes que a Medicina do Trabalho tem no exerc\u00edcio de seu papel de promotora da inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o papel da academia no aumento dessa conscientiza\u00e7\u00e3o entre os profissionais da sa\u00fade?<\/p>\n<p>Dr. Marco Ant\u00f4nio R\u00eago \u2014<\/strong> Na dif\u00edcil rela\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho em que o m\u00e9dico do trabalho se encontra, acho que a constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m um problema de forma\u00e7\u00e3o. Sou professor, e tento passar aos alunos da gradua\u00e7\u00e3o a import\u00e2ncia de se estudar a hist\u00f3ria da vida de seus pacientes: procure escutar as pessoas, ouvir o que elas t\u00eam para falar. Na atividade profissional, contudo, raramente vemos isso acontecer. Em geral, o indiv\u00edduo da \u00e1rea administrativa de certa cl\u00ednica ou hospital at\u00e9 precisa saber qual \u00e9 a profiss\u00e3o do paciente, mas o m\u00e9dico pouco se det\u00e9m sobre isso. A pessoa atendida diz no m\u00e1ximo que \u00e9 da \u00e1rea administrativa, funcion\u00e1rio p\u00fablico, industri\u00e1rio. Pergunto: esse tipo de descri\u00e7\u00e3o demarca qual \u00e9 a hist\u00f3ria dessa pessoa, qual \u00e9 seu trabalho? De forma alguma&#8230;  Ent\u00e3o ainda acho v\u00e1lido esse esfor\u00e7o de levar aos candidatos a m\u00e9dicos essa vis\u00e3o diferenciada. Pessoalmente, acho que \u00e9 uma tarefa de muita responsabilidade que o professor tem. Estamos na vig\u00eancia de mudan\u00e7as de curr\u00edculos, j\u00e1 trabalhando um eixo \u00e9tico e humanista que permeia os seis anos de forma\u00e7\u00e3o. Alguns acham desnecess\u00e1rio, mas outros, felizmente, est\u00e3o valorizando isso. Mudar essa forma de pensar \u00e9 importante, para construirmos uma Medicina mais humana.<\/p>\n<p><strong>Tanto no que entendemos como mundo globalizado quanto na prote\u00e7\u00e3o social de que os cidad\u00e3os precisam, os Estados nacionais s\u00e3o protagonistas, seja na constru\u00e7\u00e3o ou desconstru\u00e7\u00e3o desses conceitos. Nessa quest\u00e3o, que papel tem exercido o Estado brasileiro?<\/p>\n<p>Dra. Elizabeth Dias \u2014<\/strong> Nesse processo de reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, que se d\u00e1 em escala global, \u00e9 interessante observar a altern\u00e2ncia de poder que vem acontecendo n\u00e3o apenas na Am\u00e9rica Latina, mas em pa\u00edses como os Estados Unidos, muito como uma resposta a esse cen\u00e1rio que se imp\u00f5e. \u00e9 claro que esses novos governos t\u00eam ainda muito por fazer, at\u00e9 porque est\u00e3o todos submetidos \u00e0s regras internacionais que levam a muitos conflitos e, com certeza, grandes frustra\u00e7\u00f5es. Na esfera do trabalho, tivemos alguns ganhos, mas tamb\u00e9m algumas perdas dos direitos dos trabalhadores&#8230; Mas, em uma perspectiva hist\u00f3rica, n\u00e3o podemos deixar de valorizar as pequenas coisas que t\u00eam acontecido no Brasil, como por exemplo os programas de renda m\u00ednima, de acesso \u00e0 escola, de gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda, ainda que as quest\u00f5es de sa\u00fade dos trabalhadores n\u00e3o estejam sendo consideradas como deveriam. Algumas mudan\u00e7as que, acredito, podem gerar uma sociedade um pouco mais justa e digna para as pessoas.<\/p>\n<p><!--[if gte mso 9]--> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na tarde da ter\u00e7a-feira 6 de outubro, a um dia do encerramento do IX F\u00f3rum Presen\u00e7a Anamt e do IX Congresso Ibero-Americano de Medicina do Trabalho, os doutores Ren\u00e9 Mendes, Elizabeth Dias e Marco Ant\u00f4nio R\u00eago se reuniram na cafeteria do Bahia Othon para falar ao Jornal da Anamt sobre o envolvimento da Medicina do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}