{"id":2158,"date":"2013-12-30T00:00:00","date_gmt":"2013-12-30T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2013\/12\/30\/riscos-severos-da-profissao-de-frentista\/"},"modified":"2013-12-30T00:00:00","modified_gmt":"2013-12-30T02:00:00","slug":"riscos-severos-da-profissao-de-frentista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2013\/12\/30\/riscos-severos-da-profissao-de-frentista\/","title":{"rendered":"Riscos severos da profiss\u00e3o de frentista"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-style: italic;\">Data: 30\/12\/2013<\/span><\/p>\n<p>Estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) revelou que exposi\u00e7\u00e3o prolongada aos solventes existentes na gasolina pode provocar danos neurol\u00f3gicos em frentista de postos de combust\u00edvel. A pesquisa foi realizada com 25 trabalhadores da capital paulista. Na ocasi\u00e3o, foram feitos exames visuais para identificar perturba\u00e7\u00f5es em grupos de c\u00e9lulas do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Durante an\u00e1lises observou-se que ocorreram altera\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis em todas as atividades sugeridas, explica o respons\u00e1vel pelo levantamento, Thiago Leiros Costa. \u201cEstudamos a vis\u00e3o para entender se o c\u00e9rebro tinha sido alterado pela exposi\u00e7\u00e3o ao solvente. E vimos que a atividade cerebral pode ser afetada de maneira mal\u00e9fica\u201d, aponta o pesquisador.<\/p>\n<p>As verifica\u00e7\u00f5es mediram a discrimina\u00e7\u00e3o de cores, sensibilidade ao contraste e sensibilidade em diferentes pontos do campo visual. \u201cNa maioria dos testes, o pesquisado tinha que discriminar o est\u00edmulo de um fundo. O est\u00edmulo ia se misturando com o fundo at\u00e9 um ponto em que o volunt\u00e1rio n\u00e3o consegue mais diferenciar. Conseguimos entender como est\u00e1 a sensibilidade para esse tipo de est\u00edmulo\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, o participante foi submetido a testes oftalmol\u00f3gicos que descartaram qualquer altera\u00e7\u00e3o estrutural na c\u00f3rnea, no cristalino ou no fundo do olho. Apesar disso, os volunt\u00e1rios apresentaram um baixo desempenho na compara\u00e7\u00e3o com o grupo controle. Em quatro frentistas, a perda de sensibilidade para cores foi t\u00e3o surpreendente que foi preciso realizar um teste gen\u00e9tico para descartar a possibilidade de daltonismo cong\u00eanito \u2013 incapacidade de perceber diferen\u00e7as entre algumas cores que outras pessoas podem distinguir.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o na lente do olho. \u00c9 uma altera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel cerebral, seja na retina ou em outras \u00e1reas. O fato de a gente ter encontrado altera\u00e7\u00e3o em todos os testes, que mediam atividades em diferentes grupos de c\u00e9lulas do c\u00e9rebro, podemos dizer que \u00e9 uma perda difusa e que provavelmente n\u00e3o se limita exclusivamente ao sistema visual\u201d, afirma Costa.<\/p>\n<p>Os testes tamb\u00e9m j\u00e1 foram aplicados em pacientes que sofreram exposi\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario e em portadores de doen\u00e7as como diabetes, glaucoma, Parkinson, esclerose m\u00faltipla, autismo, distrofia muscular de Duchenne e neuropatia \u00f3ptica heredit\u00e1ria de Leber \u2013 uma patologia gen\u00e9tica que costuma causar perda s\u00fabita de vis\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Per\u00edodo de exposi\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>Segundo Dalmi Feitosa, de 36 anos, que h\u00e1 oito anos trabalha como frentista de posto de combust\u00edvel, ele fica exposto, no m\u00ednimo, 8 horas por dia aos solventes de gasolina. \u201cO fluxo de ve\u00edculos por aqui (local de trabalho) \u00e9 cont\u00ednuo. Muitas vezes, quando fa\u00e7o hora extra, chego a trabalhar 10  ou 12 horas com abastecimento\u201d, conta Feitosa. Ele diz n\u00e3o ter percebido ainda nenhuma altera\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica, mas \u201cvou passar a observar os sintomas, j\u00e1 que nunca liguei o fato de sentir mal com o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o\u201d, salienta. <\/p>\n<p>O pesquisador da USP alerta que quanto maior o tempo de exposi\u00e7\u00e3o aos solventes, maiores s\u00e3o os danos neurol\u00f3gicos. \u201cO tipo de perda que encontramos progrediu com tempo\u201d, destaca Costa. Segundo o cientista, as principais vias de contato dos frentistas com subst\u00e2ncias qu\u00edmicas se d\u00e1 atrav\u00e9s do sistema respirat\u00f3rio. \u201cAl\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel que haja certo n\u00edvel de intoxica\u00e7\u00e3o pelo contato com a pele e das mucosas\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Apesar dos resultados do estudo servirem de alerta para os riscos da profiss\u00e3o de frentista de posto de combust\u00edvel, Thiago Costa, da USP, ressalta a necessidade de ampliar pesquisas no campo da medicina do trabalho para definir se Equipamentos de Prote\u00e7\u00f5es Individuais (EPI\u00b4s) seriam eficazes na seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o aos trabalhadores.<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Fonte: Di\u00e1rio da Manh\u00e3<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo da USP revela que exposi\u00e7\u00e3o prolongada aos solventes da gasolina pode provocar danos neurol\u00f3gicos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2158"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2158"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2158\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}