Métodos identificam fatores psicossociais adoecedores no trabalho

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 322 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão. No Brasil, esse distúrbio já afeta 19 milhões. A ansiedade também é quadro recorrente, presente em 12 milhões de brasileiros. Esse cenário se repete no ambiente laboral. Segundo dados da Previdência Social, a cada ano mais de 200 mil trabalhadores se afastam de suas atividades devido aos transtornos mentais. Essa realidade vem instigando médicos do Trabalho e demais profissionais da saúde e pesquisadores de diferentes áreas a estudar a relação entre o trabalho e a saúde mental.

Contribuindo para essa discussão, o médico do Trabalho Sérgio Roberto de Lucca lançou o livro `Fatores Psicossociais e Saúde Mental no Trabalho – Instrumentos de diagnóstico e intervenção’. Conforme o autor, a publicação tem como propósito auxiliar os profissionais de Saúde no Trabalho na identificação e/ou no diagnóstico coletivo dos fatores psicossociais das empresas com potencial de desencadear estresse ocupacional. “As exigências de trabalho do cargo, o grau de autonomia, o suporte dos colegas e das chefias, o tipo de comunicação, a conciliação entre vida privada e profissional, a falta de reconhecimento, são exemplos de fatores psicossociais no trabalho que podem exercer influência negativa para a saúde mental dos trabalhadores”, explica o especialista, que é professor associado e coordenador da área de saúde do trabalhador do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

Cenário

Segundo ele, a maioria das organizações ainda não sabe o que fazer em relação ao assunto, sendo que algumas desenvolvem programas para que os trabalhadores consigam resistir ao estresse no trabalho, tais como incentivo à alimentação saudável ou atividade física. No entanto, seus resultados acabam sendo insatisfatórios quando a origem do problema vem da própria empresa. “Agências internacionais apontaram os fatores psicossociais no trabalho como o principal desafio da gestão no mundo do trabalho, ou seja, as organizações precisam identificar quais são estes fatores presentes no ambiente laboral com potencial de desencadear estresse, sofrimento e adoecimento nos seus colaboradores e desenvolver ações de prevenção como parte de um programa de saúde mental no trabalho”, enfatiza.

Entre os instrumentos validados internacionalmente para identificação dos principais fatores psicossociais no trabalho, De Lucca destaca o HSE-IT (Health Safety Executive – Indicator Tool) como uma ferramenta de fácil aplicação e baixo custo. “O livro destaca e exemplifica a força prática deste instrumento por meio da aplicação de metodologia específica e os resultados obtidos nos segmentos de call center, hospitalar, bancário, Unidades Básicas de Saúde e indústria. Além disso, também são apresentados outros instrumentos de reconhecimento internacional que poderão ser utilizados na avaliação destes fatores de risco à saúde mental”, adianta.

O livro editado pela Proteção Publicações conta com cinco coautores, todos ex-alunos do programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da Unicamp. Disponível nas versões impressa e eletrônica, pode ser adquirido na Loja Virtual Proteção, no link http://bit.ly/2kLCY4f. Mais informações pelo telefone (51) 2131-0400.

(Fonte: Revista Proteção)

Por |2019-09-23T14:14:58-03:0023 de setembro de 2019|Ensino e formação|Comentários desativados em Métodos identificam fatores psicossociais adoecedores no trabalho