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Apoio. Toda grávida tem esse desejo

O 13 de maio de 2018 marca o primeiro Dia das Mães celebrado desde que a Lei nº 13.467, que ficou conhecida como Reforma Trabalhista, exagerou na dose a ponto de permitir que mulheres grávidas ou que estejam amamentando possam trabalhar em ambientes insalubres, colocando em risco sua saúde e a de seus filhos.

Apesar de a lei permitir que a grávida apresente um atestado médico que a afaste de uma condição de trabalho insalubre, é preciso dizer que diante das altas taxas de desemprego dificilmente essas mulheres apresentariam atestados com “prazo de validade”.

Elas sabem que podem ser demitidas quando voltarem da licença-maternidade, caso busquem afastamento durante a gestação. Sobre as mães que amamentam, é ainda pior porque não há nenhuma menção na lei, deixando essas mulheres completamente desprotegidas. Isso tudo em um país onde ainda se luta por um melhor planejamento familiar, um pré-natal que atenda, minimamente, o protocolo do SUS, e no qual o desmame precoce é uma das principais causas de adoecimento e internações no primeiro ano de vida.

Diferente de outros países, o Brasil ainda não tem uma recomendação técnica específica para o trabalho de gestantes e lactantes. A ausência de critérios técnicos e legais, associada à dificuldade de acesso das trabalhadoras a médicos que conheçam bem os riscos relacionados ao trabalho, pode causar danos a mães e crianças. Por isso, nunca foi tão importante conhecer os efeitos das condições de trabalho sobre a saúde reprodutiva, a gestação e a amamentação. Isso é válido para Médicos do Trabalho, mas também para outros médicos e profissionais de saúde.

Nos Estados Unidos, o CDC – Centers for Disease Control and Prevention – publicou diretrizes que estão disponíveis em seu portal, em inglês. Através do National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), trabalhadores, empregadores e profissionais de saúde recebem orientações sobre como proteger a saúde reprodutiva das mulheres no trabalho e, consequentemente, a saúde de seus filhos. Embora nem tudo seja conhecido neste cenário, alguns agravos já são descritos como relacionados ao trabalho. Conhecê-los é primordial para que as devidas medidas de proteção e prevenção sejam implementadas.

Algumas doenças infectocontagiosas podem ser transmitidas para o bebê durante a gestação e causar abortamentos ou malformações. Trabalhar em ambientes ruidosos aumenta o estresse e a liberação de cortisol e adrenalina. Caso o ruído seja muito intenso, estudos mostram que há risco para a audição do bebê. Alguns solventes podem provocar malformações, abortamentos, baixo peso ao nascer e aumentar o risco de prematuridade. Dentre eles, podemos citar os solventes orgânicos e clorados. Vários solventes podem ser absorvidos e excretados pelo leite materno, incluindo o percloroetileno, benzeno, tolueno, hexano, clorofórmio e xileno. Alguns pesticidas e metais pesados parecem ter efeito teratogênico. E o trabalho em turno noturno, ou por longas jornadas, pode estar relacionado a um maior risco de parto prematuro.

Em sintonia com os anseios da sociedade e com a criticidade do momento, o Ministério Público lançou, no último 9 de maio, uma campanha que conclama empregadores a aderir ao movimento pela defesa dos direitos das trabalhadoras gestantes e lactantes. A ANAMT apoia esta campanha e espera contar com você nesta luta. Divulgue o material, procure conhecer mais a respeito do tema e incentive o diálogo entre empregadores e trabalhadoras, não apenas as gestantes e lactantes, mas todas mulheres em idade reprodutiva que planejam engravidar e para as quais o cuidado e a atenção de um(a) médico(a) do trabalho é fundamental. Sendo assim, poderemos comemorar não apenas o dia das mães, mas também o dia dos filhos que farão o futuro de um país melhor.

Dra. Marcia Bandini
Presidente da ANAMT (2016-2019)

By | 2018-05-11T16:15:48-03:00 11 de maio de 2018|Coluna da presidente|Comentários desativados em Apoio. Toda grávida tem esse desejo