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Médico do trabalho pode receitar Oseltamivir contra nova gripe

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   Médico do trabalho pode receitar Oseltamivir contra nova gripe
   
 

A descoberta, em abril deste ano, da gripe A (H1N1) — comumente chamada de gripe suína — preocupou desde o início governos e populações de todo mundo, mas o tempo tratou de esclarecer a real gravidade do que a Organização Mundial de Saúde (OMS) trata como uma pandemia. No Brasil, o Ministério da Saúde optou por mudar pela terceira vez o protocolo de manejo clínico da doença e permitir que médicos receitem medicamento específico para pacientes que não tenham fator de risco ou doença agravada.

Com a publicação da nova edição do protocolo [http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/protocolo_de_manejo_clinico_05_08_2009.pdf] na quarta-feira 5, o médico do trabalho tem a possibilidade de dar mais atenção ao diagnóstico clínico. Para o Dr. Lúcio Costa, superintendente técnico da Micelli & Associados — grupo da área de medicina do trabalho que possui 94 ambulatórios alocados dentro de empresas —, a medida permite que o médico acompanhante dos trabalhadores faça uma avaliação mais personalizada de cada caso.

“É o médico assistente do indivíduo que não apenas conhece seu estado atual, mas também seu histórico de saúde, como as doenças associadas, respostas terapêuticas e complicações de infecções respiratórias anteriores”, afirma Costa, que vê a edição do protocolo como positiva por “não ser possível prever ou descrever em um documento todas as situações de risco ou gravidade”.

Além da maior autonomia do médico frente às suspeitas da nova gripe, a iniciativa permite que as empresas vão além dos planos de contingência, que geralmente se limitam a evitar a propagação da virose entre funcionários da organização e a monitorar os casos existentes. Como os sintomas da gripe A (H1N1) são similares aos da gripe sazonal, tornando o diagnóstico clínico insuficiente para a identificação da nova virose, a responsabilidade do profissional da saúde frente à doença aumenta. “O tratamento com Oseltamivir [indicado contra o novo vírus] não pode ser adotado como rotina, e sim em condições excepcionais. Qualquer indicação diferente do protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde será de responsabilidade do médico prescritor e da autoridade sanitária local”, enfatiza Costa.

Apesar de o acesso ao medicamento estar maior agora, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vem criticando publicamente a distribuição do Oseltamivir de forma indiscriminada por temer que seu uso excessivo acabe por causar resistência ao vírus. Mesmo com todo o alarme em torno da pandemia, os últimos estudos tem apontado que a nova gripe possui índice de letalidade parecido com a da gripe sazonal, e que as medidas de prevenção de uma, na verdade, devem ser pensadas para ambas: segundo o Ministério da Saúde, mais de 70 mil pessoas morreram em 2008 no Brasil devido à gripe comum.

   
 
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